Papa Leão critica líderes que “alimentam” guerras enquanto milhões passam fome

Em visita ao PMA, o pontífice afirmou que os conflitos globais são alimentados mais prontamente do que as pessoas e pediu o fim de restrições geopolíticas à ajuda alimentar

Reuters

Papa Leão XIV chega ao aeroporto de Bamenda, em Camarões, para celebrar uma missa pela paz e pela justiça, em 16 de abril de 2026. REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Papa Leão XIV chega ao aeroporto de Bamenda, em Camarões, para celebrar uma missa pela paz e pela justiça, em 16 de abril de 2026. REUTERS/Guglielmo Mangiapane

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ROMA, 22 ⁠Jun (Reuters) – Os líderes mundiais estão “alimentando” ⁠guerras em vez de alimentar os ‌famintos, afirmou o papa Leão 14 na segunda-feira, dizendo à agência de ajuda alimentar ‌da ONU que as prioridades globais estavam gravemente distorcidas.

Leão, que tem se mostrado mais crítico em questões políticas nos últimos meses, instou os governos a aumentarem seus gastos ⁠no ‌combate à fome e a não submeterem ⁠a ajuda alimentar a restrições baseadas em preocupações geopolíticas.

“Os conflitos são ‘alimentados’ mais prontamente do que as pessoas são nutridas”, disse o primeiro papa norte-americano durante uma ​visita à sede do Programa Mundial de Alimentos (PMA) em Roma.

“Essa realidade reflete não ​apenas deficiências operacionais, mas também um desequilíbrio fundamental nas prioridades políticas e morais”, afirmou ele.

O PMA é o maior provedor de ajuda alimentar em todo o ‌mundo. Seu maior doador são ​os EUA, que anunciaram uma nova contribuição de US$800 milhões na semana passada, após cortes anteriores feitos pelo ⁠presidente Donald ​Trump que ​reduziram em mais da metade o financiamento planejado pelos EUA.

Leão, ⁠que despertou a ira ​de Trump no início deste ano após criticar a guerra contra o Irã, não mencionou ​nenhum líder específico na segunda-feira.

O papa lamentou que as crises humanitárias mundiais ​estejam sendo relegadas ⁠a um “lugar secundário entre as prioridades internacionais”.

Ele afirmou que ⁠os países “têm alocado cada vez mais seus recursos para a segurança nacional, o crescimento econômico e a estabilidade interna, desconsiderando a estreita ligação entre essas questões e a cooperação ​multilateral”.

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