BID: América Latina aumenta vendas para China, mas EUA ainda são principal mercado

O valor das vendas regionais para o mercado chinês saltou 25% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo dinamismo na América do Sul, enquanto o fluxo para os EUA avançou 14% sob o domínio dos laços comerciais com o México

Reuters

Navio de carga é carregado em porto em Staten Island, Nova York, EUA
02/04/2025
REUTERS/Jeenah Moon
Navio de carga é carregado em porto em Staten Island, Nova York, EUA 02/04/2025 REUTERS/Jeenah Moon

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CIDADE DO MÉXICO, 16 Jun (Reuters) – ⁠A China foi o comprador de produtos da ⁠América Latina e do Caribe que mais cresceu nos primeiros três meses ‌de 2026, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mas os EUA continuaram sendo o principal mercado da região.

O domínio dos ‌EUA foi impulsionado por seus laços comerciais com o México e a América Central, enquanto a China lidera em grande parte da América do Sul, conforme o relatório.

O valor das exportações latino-americanas para a China cresceu 25% nos primeiros três meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto as ⁠vendas ‌para o restante da Ásia aumentaram 24%, para a União Europeia subiram ⁠19% e para os EUA tiveram alta de 14%.

“Os Estados Unidos foram os que mais contribuíram para o aumento total das exportações da América Latina e do Caribe, enquanto a China e o restante da Ásia apresentaram o maior dinamismo”, afirmou o BID.

As remessas da China para a ​região aumentaram 29%, enquanto as exportações dos EUA cresceram 4%, um aumento mais moderado. Mesmo assim, a participação dos EUA nas importações da região atingiu ​um recorde de quase 22%, enquanto a da China recuou ligeiramente para 9,6%.

No geral, as exportações da América Latina cresceram quase 16% nos primeiros três meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, o dobro da alta anual de 8% registrada ao longo de 2025, à medida ‌que os volumes e os preços aumentaram para os ​principais produtos fabricados na região.

O preço do ouro — um ativo de refúgio que os investidores utilizam para proteger seu patrimônio em momentos de volatilidade — disparou 64% entre janeiro e abril. Os preços ⁠do cobre, do petróleo, ​da soja e do ​minério de ferro subiram em menor escala, enquanto os do café e do açúcar caíram mais de ⁠20%.

A guerra dos EUA e de Israel ​contra o Irã fez os preços dos combustíveis dispararem, um grande golpe para as nações dependentes de importações. Mesmo os exportadores de petróleo, cujos cofres se beneficiaram dos preços ​mais altos, foram afetados por um aumento associado nos custos de fertilizantes e frete.

Na Venezuela, as exportações totais caíram 8,7% nos primeiros ​três meses de 2026, ⁠segundo o relatório, mesmo com as vendas para os EUA apresentando um ligeiro aumento após os norte-americanos ⁠terem capturado o presidente Nicolás Maduro no início do ano, impondo uma supervisão significativa sobre o setor de petróleo bruto do país.

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“A instabilidade nas políticas comerciais globais e a proliferação de conflitos geopolíticos estão criando um alto grau de incerteza”, afirmou o BID, acrescentando que isso representava “tanto riscos quanto oportunidades para a região”.

(Reportagem de Sarah ​Morland)