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SÃO PAULO – Como somos influenciados pela globalização? Quais são os efeitos do livre comércio entre as nações? Porque cada vez mais pessoas migram às zonas metropolitanas, esvaziando áreas rurais? Tais indagações incomodaram o economista norte-americano Paul Krugman três décadas atrás.
A resposta de Krugman às questões lhe rendeu o prêmio Nobel de economia de 2008. Através da tese “Troca e Geografia – Economias de Escala, Produtos Diferenciados e Custos de Transporte”, o acadêmico revolucionou o modelo pelo qual se analisava o comércio internacional no período posterior à Segunda Guerra Mundial, ao enfatizar a variável localidade, na correlação com o fator de produção.
O que havia antes
Krugman revisou as idéias de David Ricardo, defensor do conceito de vantagem comparativa(1), e Bertil Ohlin, pupilo do primeiro e vencedor da mesma premiação em 1977. Em sua obra “Princípios de Econômica Política”, Ricardo advoga a produção individualizada, exclusiva e consoante com à realidade de cada nação.
Nesse sentido, o autor inglês discorre sobre as diferentes trocas no comércio mundial, ao passo que sua tese parte do princípio de que alguns países, cercados por alto desenvolvimento tecnológico e maior oferta de capital, produzirão artigos industrializados. No contrapasso, nações com o cenário reverso e abundância de mão-de-obra alimentarão tal processo, ao fornecerem produtos agrícolas – vide relação vigente entre Brasil e EUA.
Marcas ganham ênfase
Com bases na tese de Ricardo, fica difícil explicar a importação e a exportação do mesmo bem por um país – situação corriqueira após a década de 1950. Contudo, ao olhar para o ensaio de Kurgman, o entendimento é possível. O economista fundamenta seu viés no conceito de economia de escala (larga produção, com decorrente redução nos custos), além da crença de que consumidores apreciam diversidade no lado da oferta.
Partindo dessa premissa, economias semelhantes podem também realizar trocas, ou seja, o comercio não é exclusivo entre países com discrepâncias nos fundamentos – capital, mão-de-obra e tecnologia. Logo, há vantagem se duas nações produzirem o mesmo bem, com diferentes marcas, o que resulta em ganhos na escala e benefícios ao consumidor, dado o maior leque de opções.
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Centro-periferia e custos de transporte
Em passagem final do artigo de 1979, Krugman delineia o ambiente econômico em caso de fechamento do comércio mundial. Caso dois países sejam iguais, suas populações deterão a mesma qualidade de vida. Contudo, se houver mais pessoas em uma nação do que na outra, os ganhos na economia de escala se sobreporão, o que significa maior oferta de bens e elevação do bem-estar social.
Por último e, na revisão das idéias, o economista reconsidera o conceito em 1991, só que não utilizando produtos, mas sim avaliando tal processo com pessoas e empresas. Do remodelamento de Kugman, nasceram dois frutos: a importância do custo de transporte na relação do comércio mundial e a constatação de por que haver migração espontânea para áreas metropolitanas. A maior disponibilidade de capital nas megalópoles incentiva o êxodo rural, justificando a descentralização de comunidades inteiras. Com a conclusão, Kurgman criou o modelo centro-periferia, estabelecendo a ponte existente.
(1)No contraponto entre duas nações, ao considerar os custos relativos para a produção de cada bem.