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A bolsa brasileira abriu uma janela de oportunidade, mas exige seletividade, segundo Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP. A avaliação resume um cenário em que inflação pressionada, juros elevados e incerteza eleitoral colocam o investidor diante de escolhas difíceis — mas não impedem ganhos para quem diversifica bem.
Além disso, o contexto global pesa. O conflito no Oriente Médio mantém o petróleo acima de US$ 90 o barril, alimentando inflação em cadeia. Nos Estados Unidos, o pacote fiscal do presidente Donald Trump — a chamada “Big Beautiful Bill” — injeta estímulo na economia num momento em que o Federal Reserve já deveria estar segurando o gatilho.
É nesse ambiente que Rachel de Sá apresentou, ao lado do economista-chefe Caio Megale e do estrategista de ações Raphael Figueredo, as recomendações de alocação da casa para os próximos seis meses.
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“A gente tem um mercado de duas faces: o micro das ações e o macro da renda fixa”, afirmou Rachel. “E quem tem sentido mais isso é o mercado de renda fixa.”
Portfólio “trocado” e duration reduzida
Para o portfólio global — aquele com exposição em moeda estrangeira —, a XP opera há algum tempo com uma composição que ela chama de “portfólio trocado”: 55% em renda fixa, 40% em renda variável e 5% em ativos alternativos.
A proporção inverte o modelo clássico de mercado, que preconiza 60% em ações e 40% em renda fixa. “A gente está vendo um nível de incerteza e imprevisibilidade que justifica operar abaixo do orçamento de risco”, explicou a estrategista.
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Além da composição, a XP reduziu o prazo médio recomendado para os títulos de renda fixa no exterior, saindo de quatro ou quatro anos e meio para dois anos. O índice de referência do mercado global de renda fixa, o AGG, carrega prazo médio de seis anos.
“Isso mostra o quanto estamos cautelosos em relação à volatilidade da curva de juros lá fora”, disse Rachel. “O movimento ainda não parou, então não vale correr esse risco agora.”
Brasil: juro alto, mas já no preço
No mercado doméstico, a leitura é diferente. Aqui, a XP mantém um prazo médio de seis anos para a renda fixa atrelada à inflação — mais longo do que o recomendado para o exterior.
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A explicação, segundo Rachel, é que grande parte da incerteza já se reflete nas taxas. “Quando a gente olha para a curva toda em 14%, tem muita coisa no preço. Boa parte dessa incerteza, tanto doméstica quanto global, já está embutida ali.”
Dentro da renda fixa brasileira, a preferência recai sobre títulos atrelados ao IPCA.
“Estamos com taxas historicamente altas e há um risco inflacionário global relevante. O Brasil tem instrumentos seguros e líquidos para proteger o patrimônio da inflação, e isso é uma vantagem”, ressaltou a estrategista.
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