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O que está na mesa? De um lado, temos os governos soberanos com políticas fiscais keynesianas (pacotes de estímulo à demanda agregada) e, do outro lado, a sociedade. Os governos estão injetando enormes somas monetárias para que a economia mundial não deflagre uma debacle.
Entretanto, para que esse estímulo dê certo, e seja um multiplicador, é necessário que a sociedade acredite que vá dar certo. Nesse sentido, a confiança é o elemento mais precioso neste momento. Olhando por essa ótica, dos estímulos e da confiança, é que entendemos o efeito multiplicador. De nada adianta os turbilhões de recursos financeiros colocados à disposição dos agentes econômicos se não existir confiança.
Historicamente, temos que, em épocas de desalento ou de depressão, precisamos de um novo catalisador de esperanças. O nosso catalisador tem um nome, e ele tomará posse em 20 de janeiro. Seu nome? Barack Hussein Obama.
A expectativa da sociedade, não só da norte-americana, mas da mundial, é que Obama traga consigo novos ventos para tirar a economia do buraco em que ela se encontra. O começo foi bom. Em poucas semanas o presidente eleito divulgou sua equipe de secretários (ministros), demonstrando ciência da ansiedade de todos nós. Os nomes foram bem recebidos.
| “Câmbio entre R$ 2,25 e R$ 2,40 no primeiro bimestre” |
Dessa forma, janeiro deverá começar com expectativas positivas. Um novo presidente foi eleito, e com ele, esperam-se
medidas duras no combate ao desaquecimento econômico e no pronto restabelecimento da confiança.
Fevereiro e março serão os meses em que as empresas vão divulgar os balanços do último trimestre de 2008. Este período foi o mais atingido pela crise de confiança. Portanto, não deverá trazer boas novas.
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Em suma, o primeiro trimestre irá responder ao somatório de propostas de Obama, conjugadas com as noticias não tão positivas das empresas. Se Obama for eficiente na proposição de novas soluções para a crise, talvez ele consiga reverter as nefastas expectativas atualmente vigentes no cenário econômico mundial.
Aqui no Brasil, já temos também indícios de crise. O saldo comercial foi o menor em seis anos. Comparada com 2007, a queda de 38% só não foi pior porque a desvalorização do real conteve as importações. Os investidores estrangeiros sacaram US$ 24 bi da Bolsa. Nesse cenário, deveremos ter um câmbio oscilando entre R$ 2,25 e R$ 2,40 no primeiro bimestre de 2009. O último boletim Focus aponta R$ 2,35.
Por fim, como diria Helen Keller: “O otimismo é a fé que leva à realização. Nada pode ser feito sem esperança ou confiança.”
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Marcelo Faro é gerente de Negociação Eletrônica da Intra Corretora e escreve excepcionalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
marcelo.faro@infomoney.com.br