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Por que a Janus Henderson aposta na Europa mesmo no auge da IA americana

Para a gestora, valuations no Velho Continente estão atrativos demais para ignorar

Paulo Barros

Foto: Shutterstock
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Todo mundo só fala em mega IPOs e na volta do “excepcionalismo americano”, mas ainda há quem defenda que o Velho Continente merece seu espaço na carteira dos investidores. Em meio à euforia em torno da inteligência artificial que tem concentrado os fluxos de capital nas bolsas americanas, a gestora Janus Henderson argumenta que investidores dispostos a olhar além dos holofotes encontram, na Europa, uma combinação de valuations descontados e temas estruturais que pode recompensar quem entrar agora.

A avaliação está em relatório recente de Robert Schramm-Fuchs, gestor de portfólio da casa. Apesar do BCE restritivo e das incertezas no Oriente Médio, o gestor defende que o cenário de curto prazo “obscurece uma história mais construtiva para as ações europeias” e que reformas em curso, da eletrificação à política industrial, estão remodelando o conjunto de oportunidades no continente.

Dois choques energéticos em poucos anos, a crise de 2021/2022 agravada pela invasão da Ucrânia e as tensões atuais no Oriente Médio, deixaram claro para a gestora que “a segurança energética está agora intimamente ligada à segurança econômica.” O resultado é suporte crescente de política pública a renováveis, materiais industriais, manufatura e defesa, setores que a Janus Henderson vê como estratégicos em um mundo de cadeias de suprimento mais fechadas.

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Além disso, a casa aponta que a demanda por infraestrutura para escalar sistemas de IA, capacidade computacional, redes de energia e equipamentos industriais, recai sobre segmentos em que empresas europeias têm posição global relevante. Desde o segundo semestre de 2025, o relatório aponta que os mercados passaram a premiar companhias mais enxutas e com maior capacidade de incorporar IA nos fluxos de trabalho, perfil que parte da indústria europeia consegue atender.

Por fim, há o argumento do valuation. As ações europeias seguem negociadas a múltiplos que, para a gestora, não refletem o potencial de lucros de longo prazo em formação. Schramm-Fuchs lembra que grandes empresas listadas no continente têm receitas globais e seu desempenho não depende apenas da conjuntura local. Inflação energética, juros elevados e escalada geopolítica são riscos mapeados, mas para a Janus Henderson o conjunto de oportunidades na Europa “pode ser mais resiliente e mais diversificado do que as manchetes sugerem.”

Como acessar as bolsas europeias

Para quem está no Brasil e quer exposição à Europa, os caminhos disponíveis incluem BDRs de empresas europeias e ETFs com foco em Europa, que replicam o MSCI Europe, por exemplo, como opções na B3.

Além disso, é possível aplicar em fundos com mandato internacional, ou, visando o longo prazo, por meio de fundos de previdência com alocação internacional.

Com a evolução das chamadas contas globais, também já é possível investir diretamente no exterior por meio dessas plataformas, ganhando acesso a prateleiras de ETFs e ações europeus, com conversão cambial no momento da operação.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos