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O e-mail chegou simples, sem pontuação, sem formalidade e em letras maiúsculas. Mas mudou completamente o destino do Asaas, uma das principais plataformas de gestão financeira e operacional para empresas do Brasil.
“Era um encanador que tinha mandado o email. Ele foi bem direto assim: ‘Como eu faço para instalar esse Asaas no meu celular e no meu computador? Eu tenho 100 boletos por mês e quero cobrar meus clientes. Obrigado'”, relembrou Diego Contezini, cofundador do Asaas, durante entrevista para o Do Zero ao Topo.
Até aquele momento, os irmãos Diego e Piero Contezini acreditavam que estavam construindo uma solução para empresas de software. Tinham passado três anos desenvolvendo um produto complexo, voltado para programadores e integrações técnicas. O problema é que ninguém comprava.
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“Os clientes testavam e não compravam”, relembra Diego. “O dinheiro ia acabar em alguns meses.”
Foi naquele instante que os fundadores perceberam que estavam olhando para o mercado errado. O Brasil real — o “Brasil com S”, como Diego define — precisava desesperadamente de ferramentas simples para cobrar clientes e gerir dinheiro.
“Mais da metade das pessoas que tentavam comprar o Asaas eram iguais ao Paulo, o encanador que nos mandou o email. São pessoas bem simples e que ninguém até então tinha resolvido o problema delas”, diz Diego.
A descoberta virou a chave da fintech. Assim, nascia, em Joinville, o que iria, mais tarde, se tranformar no Asaas, empresa que virou uma das principais plataformas financeiras e operacionais do país, com mais de 260 mil clientes, bilhões transacionados e com expectativa de atingir R$ 1 bilhão em faturamento ainda em 2026.
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A pivotagem que transformou a empresa
Mas pra chegar até o produto de hoje foi preciso ter, lá atrás, coragem. Internamente, o software antigo ganhou um apelido simbólico: Frankenstein. A decisão teria que ser radical e jogar fora praticamente tudo o que já havia sido construído.
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“Tudo o que a gente construiu esses três anos de software, não fazia mais sentido”, conta Diego. “Está dando mais trabalho em ficar refazendo e mudando do que em construir algo genuinamente para ele”, relembra.
A solução veio durante o chamado “Asaas Summer Camp”, quando os oito colaboradores da empresa passaram um mês trabalhando juntos na casa da mãe dos fundadores, em Joinville. “Com muita tristeza, dissemos: ‘Vamos matar o Frankenstein’”, relembrou bem humorado Diego.
Em janeiro de 2014, nasceu então a nova versão do Asaas: uma plataforma desenhada para pequenos empreendedores brasileiros que não tinham familiaridade com tecnologia. .
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O software passou a priorizar simplicidade extrema. O objetivo era que qualquer empreendedor conseguisse emitir cobranças sozinho, sem gerente de banco, instalação complicada ou treinamento técnico.
O movimento acabou criando uma das fintechs de maior crescimento do país, com operação 100% remota, lucro bilionário e investidores como SoftBank. Os irmãos Contezini transformaram a burocracia das cobranças, que levava até 18 dias por mês, em algo que hoje pode ser resolvido em poucos minutos por dia
Mas Diego insiste que o maior diferencial continua sendo entender quem o mercado ignorou.
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“O Brasil é de pessoas simples. Quando você consegue fazer algo genuinamente fácil, você atua tanto com o simples quanto melhor ainda para quem é qualificado.”
Para saber mais detalhes sobre o Asaas veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.
Sobre o Do Zero ao Topo
O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.