Braskem: IG4 passa a assumir controle da petroquímica; o que esperar para companhia?

Gestora IG4 Capital recebeu a aprovação final para assumir a participação de 50,1% detida pela Novonor na petroquímica; novo controlador prioriza desalavancagem e avalia recuperação extrajudicial

Felipe Moreira

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Estande da Braskem (Foto: Divulgação/Braskem)
Estande da Braskem (Foto: Divulgação/Braskem)

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Após meses de negociações e incertezas sobre o futuro do controle da Braskem (BRKM5), a gestora IG4 Capital recebeu a aprovação final para assumir a participação de 50,1% detida pela Novonor na petroquímica.

Com a conclusão da operação, a IG4 passará a compartilhar o controle da Braskem com a Petrobras (PETR3;PETR4), encerrando uma longa disputa envolvendo a venda da fatia da antiga Odebrecht na companhia.

Diante da atual restrição de liquidez da companhia, o BTG Pactual acredita que a principal missão da IG4 será liderar o processo de reestruturação operacional e financeira da Braskem.

No curto prazo, entretanto, o foco deverá estar na estabilização da posição de liquidez, considerando que o caixa aparenta estar abaixo dos níveis considerados confortáveis e as necessidades de capital de giro aumentaram substancialmente.

De acordo com reportagens recentes, a Braskem estaria avaliando ingressar com um pedido de recuperação extrajudicial nas próximas semanas, possivelmente ainda antes do fim de junho, em preparação para pagamentos de cupons de títulos de dívida previstos para julho.

Para o BTG, a situação de liquidez continua bastante desafiadora. Um dos principais fatores de pressão é a forte alta da nafta nas últimas semanas, matéria-prima fundamental para a produção petroquímica. O movimento eleva significativamente as necessidades de capital de giro e reduz a geração de caixa operacional.

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O banco destaca que a Braskem opera com uma dinâmica financeira particularmente sensível à alta dos insumos: os prazos médios de pagamento a fornecedores são aproximadamente quatro vezes menores do que os prazos médios de recebimento de clientes. Em um ambiente de matérias-primas mais caras, a companhia precisa desembolsar mais recursos antecipadamente para manter suas operações, ampliando a pressão sobre o caixa.

Diante desse cenário, o BTG considera que medidas voltadas à preservação de caixa, ao reforço da liquidez e ao fortalecimento da estrutura de capital devem ser prioridades da nova gestão liderada pela IG4 nos próximos meses.

O UBS BB, por sua vez, considera positiva a conclusão da transferência do controle da Braskem da Novonor para a IG4 Capital, avaliando que a mudança pode facilitar uma solução para a situação financeira da companhia. O banco também não descarta a possibilidade de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA), embora nenhuma informação adicional tenha sido divulgada até o momento.

Segundo o UBS BB, a principal incerteza da tese de investimento continua sendo a solução de liquidez que a Braskem precisará implementar para enfrentar sua posição de caixa apertada.

Baixa probabilidade de aumento de capital

O BTG avalia como pouco provável a realização de um aumento de capital na Braskem. Do lado da Petrobras, uma eventual elevação de participação acima de 50% implicaria a consolidação da dívida da Braskem em seu balanço, cenário que o banco julga pouco
desejável para a estatal.

Da mesma forma, o banco não acredita que a IG4 esteja disposta a realizar uma injeção relevante de capital próprio no curto prazo. “Nossa leitura é de que o novo controlador pretende concentrar esforços na otimização operacional, captura de eficiência e reorganização financeira, em vez de aportar recursos diretamente via equity”.

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Nesse contexto, a recuperação extrajudicial surge como uma alternativa para ganhar tempo e renegociar o perfil da dívida sem necessidade de reestruturações mais agressivas. Ainda assim, o BTG segue enxergando risco de que a companhia necessite contratar novas linhas de crédito para financiar suas operações ao longo dos próximos meses, fator que permanece como um dos principais pontos de monitoramento da tese.

Braskem: avaliação pouco atrativa

O BTG Pactual reitera recomendação neutra para a Braskem, com preço-alvo de R$ 9,00, uma vez que a companhia continua operando em um equilíbrio financeiro delicado.

Embora observem melhora nos spreads de resinas e forte poder de precificação no mercado doméstico — ainda que os volumes recentes sugiram alguma desaceleração da demanda em função dos preços elevados —, o banco acredita que a elevada exposição à nafta, cuja cotação avançou significativamente, continua pressionando a geração de caixa e restringindo a flexibilidade financeira da companhia.

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Por outro lado, a ausência de um aumento de capital ou de uma reestruturação de dívida com conversão em ações reduz o risco de diluição no curto prazo. “Ainda assim, avaliamos que os riscos relacionados à liquidez, ao refinanciamento e à sustentabilidade da estrutura de capital continuam limitando a atratividade da ação sob uma perspectiva de retorno ajustado ao risco”, conclui.

O UBS BB manteve recomendação neutra para as ações da Braskem, mas elevou o preço-alvo para R$ 10,50 por ação, ante R$ 10,00. Para os ADRs (recibo de ações) negociados em Nova York, o novo preço-alvo passou de US$ 3,80 para US$ 4,00.

A revisão reflete principalmente a melhora nas projeções para os spreads petroquímicos após as interrupções de oferta provocadas pelos conflitos no Oriente Médio, além da incorporação de maiores benefícios relacionados ao Regime Especial da Indústria Química (REIQ). Com isso, o banco estima um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de US$ 2,6 bilhões para 2026.

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