Setor aéreo do Oriente Médio “murchou” com a guerra e recuperação pode demorar

O espaço aéreo de 10 países foi afetado desde o início do conflito e o aeroporto do Kwait chegou a ficar fechado por 90 dias; IATA calcula perdas bilionárias para as companhias aéreas da região

Roberto de Lira

Imagens de câmeras de segurança mostram fogo e fumaça subindo após um ataque ao Aeroporto Internacional do Kuwait - 03/06/2026 (Foto: Autoridade de Aviação Civil do Kuwait/Divulgação via REUTERS)
Imagens de câmeras de segurança mostram fogo e fumaça subindo após um ataque ao Aeroporto Internacional do Kuwait - 03/06/2026 (Foto: Autoridade de Aviação Civil do Kuwait/Divulgação via REUTERS)

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Embora as companhias aéreas do Oriente Médio lutem para manter sua resiliência, o setor “murchou” após o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, reconheceu neste sábado Kamil Alawadhi, vice-presidente para a África e Oriente Médio na Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA). A declaração pode ser expressa em números: a demanda por voos recuou 59,2% em março de 2026 ante março do ano passado e voltou a recuar 46,8% em abril, também na comparação anual.

O executivo calculou que isso necessariamente se refle em perdas de bilhões de dólares para a as empresas.

Alawadhi comentou que 10 países da região tiveram episódios de fechamento do espaço aéreo desde o início do conflito, sendo que o aeroporto do Kwait chegou a ficar fechado por 70 dias.

E os problemas continuam uma vez que o terminal 1 do aeroporto foi recuperado, mas voltou a ser atacado há 3 dias. Após o novo fechamento, a previsão é que a nova recuperação possa levar até um ano até que a capacidade seja recuperada. O Bahrein também fechou seu espaço aéreo na madrugada de sexta-feira.

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Uma recuperação até os níveis pré-guerra pode levar vários meses, alertou.

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O executivo elogiou a capacidade de Arábia Saudita e Egito de remanejarem seus espaços aéreos para absorver a demanda prejudicada na região, assim como Omã. O Egito, por exemplo, ampliou sua capacidade em 430% num espaço de 3 horas.

Mesmo assim, a maioria das frotas no Golfo tem ficado 100% no chão, não só por questões de segurança, mas porque o ecossistema tem sido atingido, como a produção e distribuição de combustíveis.

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África

Na África um mercado crescente e que mostra grande potencial, os desafios estão no campo da regulação. O cálculo da IATA é que os países africanos estejam bloqueando cerca de US$ 774 bilhões em fundos das companhias aéreas, com a Argélia liderando a lista, tendo Moçambique e Angola também como destaques.

A questão das tarifas extras é outro entrave para o desenvolvimento do setor no continente no continente. Na Tanzânia, por exemplo, há uma taxa de US$ 45 por “perna”, o que leva uma simples ponte aérea a ter um custo adicional de US$ 90.

O executivo classificou a região como apresentando crescimento, porém muito lento por contas dos “custos impraticáveis” praticados. O trabalho da IATA nesses locais é mostrar como o desenvolvimento do setor aéreo pode ser fundamental para o crescimento desses países.

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O jornalista viajou a convite da IATA.