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A alta do petróleo é insuficiente para estimular o Ibovespa no pregão desta quarta-feira, 3, véspera de feriado no Brasil. As persistentes incertezas sobre as negociações entre Washington e o Irã se somam à proposta dos Estados Unidos de impor tarifas adicionais a dezenas de parceiros comerciais, incluindo o Brasil.
Às 12h20 (horário de Brasília) desta quarta, o Ibovespa cedia 1,89%, aos 170.912 pontos, após mínima aos 170.998,82 pontos (-1,84%) e abertura estável, na máxima em 174.192,19 pontos.
Ainda, o mercado avalia a produção industrial brasileira relativa a abril, dados de emprego do norte-americano ADP e de atividade de serviços nos EUA, além do Livro Bege, do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).
Divulgada nesta quarta, a produção da indústria subiu 0,7% em abril ante março, acima da mediana das expectativas, de 0,5%. Em relação a abril de 2025, houve crescimento de 2,7%, também superior à mediana de 1,9%. Os dados reforçam a cautela com a condução dos juros pelo Banco Central, a poucos dias da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
Ontem, o BTG Pactual se juntou a outras instituições que veem espaço cada vez menor para uma Selic menor ao final do ciclo de quedas. O banco elevou a expectativa para a taxa de juros terminal, de 13,0% para 14,25% em 2026 e de 10,50% para 12,50% em 2027. No cenário base da instituição, o último corte na taxa, de 0,25 ponto porcentual, ocorrerá em junho. Hoje, XP Investimentos e Barclays foram na mesma direção.
Conforme ressalta Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, com a recente escalada das tensões no Oriente Médio, acredita-se que uma resolução rápida e eficaz esteja se distanciando, elevando o preço do barril de petróleo e a cotação do dólar americano frente todas as moedas. Essa alta do dólar afetou de forma mais estrutural a cotação do iene, que atingiu nível crítico, mesmo após recente intervenção do Banco Central do Japão.
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“Conforme perdemos o vislumbre de um ponto final ao bloqueio naval em Ormuz, os juros futuros seguem em forte ganho de amplitude, anulando as expectativas de cortes na Selic”, avalia Praça, destacando que, no geral, o mercado está precificando uma taxa de 14% para o final deste ano, dando espaço para apenas mais dois cortes de juros, o que levaria a uma pausa no ciclo do Banco Central.
O mercado doméstico ainda repercute a proposta de novo tarifaço de até 12,5% dos EUA ao Brasil, União Europeia e outros 58 países por suposta falha no combate à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Se aplicada, a tarifa ao Brasil se somaria aos 25% já anunciados pelo governo americano ontem, após investigação sobre práticas comerciais brasileiras. A União Europeia afirmou nesta quarta-feira que considera “injustificadas” as novas tarifas propostas pelos americanos.
Segundo o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR), a medida busca evitar desvantagem competitiva ao comércio americano e, no pano de fundo, mira em especial as exportações da China.
“Ao mesmo tempo, a queda da curva de juros doméstica – com expectativa de Selic terminal mais baixa – permanece como o principal suporte estrutural para os ativos locais, sustentando valuation e fluxo”, diz Alvaro Maia, executivo da Stonex. Por outro lado, afirma Maia, a potencial implementação de tarifas dos EUA contra o Brasil introduz um elemento novo de risco estrutural, ainda não precificado, especialmente relevante para setores exportadores.
Para Cassio Viana de Jesus, diretor de investimentos da Pilar Capital, mesmo que a tarifa final seja limitada ou negociada, o custo reputacional pode permanecer, afetando a percepção de risco sobre o país e sobre empresas exportadoras. “O impacto inflacionário direto é limitado, mas um real mais fraco pressiona insumos e combustíveis, e a pauta eleitoral tende a contaminar o tema. O cenário-base segue setorial e administrável, mas a probabilidade de reprecificação subiu, porque o mercado tolera ruído e precifica mal a percepção de método, escalada e imprevisibilidade”, avalia.
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, ressalta que a resposta não deve ser apenas diplomática, mas também institucional. “O país precisa demonstrar capacidade de fiscalização, transparência e segurança regulatória, porque mercados internacionais estão cada vez menos dispostos a separar preço de origem, compliance e risco socioambiental. A economia brasileira tem setores exportadores competitivos e cadeias produtivas sofisticadas, mas, em um ambiente global mais protecionista, a confiança passa a ser um ativo econômico. Quem conseguir provar origem, governança e regularidade terá vantagem. Quem não conseguir, poderá enfrentar restrição de mercado, encarecimento de capital e perda de espaço comercial”, avalia.
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Em reunião ministerial na manhã desta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil “não pode aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil nesta semana”.
A cautela pré-feriado de Corpus Christi também impacta os negócios no país nesta quarta.
Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 1,16%, aos 174.197 pontos. Nesta manhã, o petróleo avança perto de 2%, com o Brent se aproximando de US$ 100 o barril, enquanto o minério de ferro fechou em queda de 0,57% em Dalian.
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(com Estadão Conteúdo e Reuters)
