Galípolo: hedge de investidores estrangeiros pode explicar força do real

Presidente do Banco Central disse que movimento incomum no câmbio pode ter origem no comportamento de fundos americanos que investem em IA

Paulo Barros

Atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de entrevista coletiva à imprensa, ainda na condição de diretor de Política Monetária
19/12/2024
REUTERS/Adriano Machado/foto de arquivo
Atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de entrevista coletiva à imprensa, ainda na condição de diretor de Política Monetária 19/12/2024 REUTERS/Adriano Machado/foto de arquivo

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, apresentou nesta quarta-feira (3) uma hipótese para explicar um fenômeno que tem desconcertado analistas: o real se valorizando num momento em que a aversão a risco global deveria fortalecer o dólar e a bolsa brasileira registra saída de capital estrangeiro em direção à tese de inteligência artificial.

Em maio, o saldo líquido dos investidores estrangeiros na B3 ficou negativo em R$ 13,28 bilhões, o maior volume de retirada em mais de cinco anos, num movimento de realocação de capital em direção aos Estados Unidos. Apesar disso, o dólar se manteve no patamar de cerca de R$ 5, o menor desde março de 2024.

A hipótese passa pelo comportamento dos investidores estrangeiros. “Fazer hedge contra o dólar, como é desvalorização do dólar, é algo que faz sentido para o investidor americano. Eles querem se proteger de que essa rentabilidade [dos investimentos em IA] não seja parcialmente corroída pela desvalorização do dólar na conversão para o mercado doméstico”, afirmou o presidente do BC durante participação no Fórum de Lisboa. “Esse hedge matematicamente é o equivalente a você estar vendido em dólar, inclusive pró desvalorização do dólar.”

Galípolo comentou ainda que a curva de juros americana se mantém “comportada” por conta da expectativa de ganho de produtividade com IA. E, como é muito profundo, o mercado de títulos americano fica imune por ora à desvalorização do dólar, apesar dos choques geopolíticos. Já no câmbio, que não tem a mesma amplitude, as posições contra o dólar, que favorecem o real, são sentidas mais facilmente.

O câmbio favorável vem sendo considerado pelo mercado como o fiel da balança para o País, diante de pressões inflacionárias que ameaçam a condução da política monetária. Segundo agentes ouvidos pelo InfoMoney, o nível do dólar é a principal variável observada no momento.

O momento pode ser benéfico para o câmbio, mas Galípolo alertou que é preciso olhar além, mais especificamente para a sustentabilidade do crescimento econômico. Para isso, defendeu, o Brasil precisa se conectar às cadeias de IA. “No médio prazo, eu acho que o Brasil ainda não está ligado com a cadeia de valor global de IA. Esse benefício é futuro”, disse.

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Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos