Smart Fit (SMFT3): mercado precifica riscos, mas ignora todo potencial do TotalPass

Banco destaca que potencial de geração de valor do TotalPass ainda não parece totalmente incorporado ao preço das ações

Felipe Moreira

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Com as ações da Smart Fit (SMFT3) negociadas a cerca de 9 vezes o lucro projetado para 2027, o menor múltiplo desde o IPO, o Itaú BBA reiterou recomendação de compra para a rede de academias e manteve preço-alvo de R$ 35.

Na avaliação do banco, boa parte das pressões sobre o negócio principal de academias já está refletida nas cotações. Por outro lado, o potencial de geração de valor do TotalPass ainda não parece totalmente incorporado ao preço das ações.

A Smart Fit divulgou na última sexta-feira suas demonstrações financeiras anuais com informações sobre lojas maduras. Entre os principais destaques, o banco reforça a visão de que as operações no México seguem pressionadas, enquanto os demais países da América Latina continuam apresentando desempenho robusto. O Brasil foi o principal destaque positivo, com expansão de margens na comparação anual, mesmo em um ambiente macroeconômico menos favorável.

O Itaú BBA argumenta que, ao incorporar adequadamente a contribuição do TotalPass na análise, e não apenas os pagamentos feitos à Smart Fit por check-in, mas também parte das receitas e do lucro bruto contabilizados na linha “Outros Brasil”, os indicadores da operação brasileira ficam ainda mais fortes. Apesar disso, o ambiente competitivo continua desafiador.

Na visão do banco, o preço atual da ação já reflete boa parte dos riscos relacionados à concorrência e à canibalização entre unidades, fatores que afetam a rentabilidade das academias maduras. Em contrapartida, o mercado ainda não estaria precificando totalmente os ganhos potenciais de um desempenho melhor do TotalPass.

O Itaú BBA elevou suas projeções de lucro líquido para R$ 964 milhões em 2026 e R$ 1,249 bilhão em 2027, valores 6% e 10% superiores às estimativas anteriores, respectivamente. As projeções também ficam 2% e 1% acima do consenso de mercado. As revisões positivas refletem principalmente expectativas mais favoráveis para o crescimento e as margens do TotalPass no Brasil, além de um resultado financeiro melhor em função das iniciativas de gestão de passivos da companhia.

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Mesmo com posicionamento já elevado de investidores locais e participação ainda limitada de estrangeiros, o banco continua vendo a Smart Fit como uma das oportunidades mais assimétricas de sua cobertura. A avaliação é de que a excelência operacional contínua e a manutenção de retornos elevados sobre o capital investido (ROIC) serão fundamentais para uma reprecificação positiva da ação.

Já o Bradesco BBI comenta que os dados do setor em maio reforçam a leitura construtiva para a SmartFit, com avanço consistente na expansão e sinais positivos na estratégia de precificação, mesmo em um ambiente mais competitivo.

Segundo relatório, a melhora nos indicadores de densidade e canibalização sugere uma expansão mais disciplinada, enquanto o reposicionamento de preços e a evolução do TotalPass apoiam ganhos de rentabilidade ao longo do ciclo.

Apesar da pressão observada no México, o BBI destaca que o Brasil segue como principal vetor de geração de valor, sustentado por crescimento de receita e expansão de margens nas unidades maduras.

O BBI manteve recomendaçaõ de compra e preço-alvo de R$ 30, uma vez que enxerga a companhia bem posicionada para capturar crescimento com disciplina operacional, mantendo uma combinação atrativa entre expansão e retorno.