Goldman Sachs segue otimista com petroleiras e reitera compra para Petrobras; entenda

Já para o JPMorgan, a PRIO (PRIO3) continua sendo a preferida entre as petroleiras juniores devido ao maior potencial de crescimento

Felipe Moreira

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Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro
22/02/2021
REUTERS/Ricardo Moraes
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro 22/02/2021 REUTERS/Ricardo Moraes

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O Goldman Sachs mantém uma visão positiva para o setor de petróleo e gás da América Latina, apoiada por uma combinação de fatores estruturais.

Segundo o banco, o forte crescimento da produção de petróleo no Brasil, na Guiana e na Argentina, a melhora na governança de algumas estatais, o surgimento de produtoras independentes de alta qualidade, o menor risco geopolítico relativo e as avaliações atrativas reforçam a tese favorável para as empresas da região.

Nesse contexto, o banco reiterou a recomendação de compra para a Petrobras (PETR3; PETR4), com preços-alvo de R$ 56,00 para PETR3 e R$ 52,40 para PETR4. Para os ADRs, recibos de ações negociados em Nova York, os preços-alvo são de US$ 22,50 para PBR (equivalentes à ação ordinária) e US$ 21,00 para PBR.A (equivalente às ações preferenciais).

O Goldman destaca que a Petrobras combina crescimento relevante da produção, impulsionado pelos projetos do pré-sal, com forte geração de caixa e potencial de distribuição de dividendos, características que a colocam entre suas principais apostas no setor.

Entre os riscos para essa visão, o banco cita possíveis mudanças nas políticas econômica e energética associadas aos ciclos eleitorais no Brasil, na Colômbia e na Argentina entre 2026 e 2027, além de uma eventual queda dos preços internacionais do petróleo. Segundo o Goldman, as petroleiras latino-americanas costumam apresentar maior sensibilidade às oscilações da commodity do que as grandes empresas globais do setor.

O banco observa que as companhias da região negociam com desconto relevante em relação aos pares internacionais. Considerando um cenário de petróleo a US$ 75 por barril em 2027, as ações latino-americanas oferecem um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF Yield) de 15%, ante 9% das concorrentes globais.

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O Goldman também destaca avanços na governança das principais estatais do setor, incluindo a Petrobras, a YPF e a Ecopetrol.

No caso da Petrobras, o banco aponta que a companhia demonstrou disciplina na gestão ao longo da última década, independentemente das mudanças de governo, graças às melhorias de governança implementadas desde 2016.

O relatório acrescenta que a relevância do setor de petróleo para o PIB e para a balança comercial desses países reduz, embora não elimine, o risco de adoção de políticas que prejudiquem o crescimento da produção.

O Goldman projeta uma taxa composta anual de crescimento (CAGR) da produção de 9% entre 2025 e 2028, além de dividend yield (rendimento de dividendos) entre 11% e 16% em 2026 e 2027, considerando preço do petróleo em US$ 75 por barril em 2027.

Segundo o Goldman, cerca de 90% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Petrobras vem do segmento de exploração e produção (upstream), que também responde por aproximadamente 75% dos investimentos anuais da companhia.

O Ebitda ajustado de US$ 58,2 bilhões em 2026 e US$ 57,7 bilhões em 2027, com investimentos de US$ 17,1 bilhões e US$ 18,5 bilhões, respectivamente.

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Nesse cenário, a companhia geraria fluxo de caixa livre para o acionista de US$ 18,6 bilhões em 2026 e US$ 18,8 bilhões em 2027, o que representa um yield médio próximo de 15%.

Grande parte desse caixa, segundo o banco, deverá ser distribuída aos acionistas. O Goldman projeta dividendos de US$ 13,5 bilhões em 2026 e US$ 18,8 bilhões em 2027, equivalentes a dividend yields de aproximadamente 11% e 15%, respectivamente.

Mesmo com esses pagamentos, a Petrobras conseguiria manter sua dívida bruta próxima da meta corporativa de US$ 65 bilhões.

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O Goldman ainda destaca que as eleições presidenciais brasileiras de outubro podem representar um catalisador para as ações da Petrobras. Embora não faça projeções sobre o resultado do pleito, o banco acredita que uma eventual mudança para uma administração mais amigável ao mercado poderia ser bem recebida pelos investidores e impulsionar os papéis da companhia.

Ainda em destaque, o JPMorgan revisou as suas estimativas para as ações das petroleiras independentes, mantendo preferência pela PRIO (PRIO3) ante Brava (BRAV3) e PetroRecôncavo (RECV3). Confira as teses abaixo:

PRIO (PRIO3)

Para o JPMorgan, a PRIO (PRIO3) continua sendo a preferida entre as petroleiras independentes brasileiras devido ao maior potencial de crescimento, forte geração de caixa e elevada exposição à valorização do petróleo. No entanto, o banco optou por reduzir o preço-alvo de R$ 73 para R$ 70, refletindo principalmente o impacto cambial.

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Em 2026, a petroleira deverá ampliar sua produção com o início das operações do campo de Wahoo e a consolidação de Peregrino, alcançando cerca de 200 mil barris equivalentes de petróleo por dia até o fim do ano.

Como a empresa não possui hedge relevante para os preços do petróleo, está posicionada para capturar integralmente os benefícios de um ambiente favorável para a commodity, impulsionando a geração de caixa e o retorno aos acionistas.

Brava Energia (BRAV3)

O JPMorgan mantém recomendação neutra para as ações da Brava, com preço-alvo de R$ 20. Segundo o banco, a companhia vem apresentando melhorias operacionais e financeiras e possui uma base sólida de reservas. No entanto, sua estratégia de hedge limita os ganhos em cenários de alta do petróleo.

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Além disso, a proposta recente da Ecopetrol para adquirir uma participação de 51% da companhia por R$ 23 por ação levanta questionamentos sobre governança corporativa e direcionamento estratégico para acionistas minoritários.

Embora a operação possa gerar sinergias, o banco prefere aguardar sua conclusão antes de revisar sua visão sobre a empresa.

PetroRecôncavo (RECV3)

O JPMorgan mantém recomendação neutra para a PetroRecôncavo e preço-alvo de R$ 14, uma vez que a petroleira atua exclusivamente em produção terrestre de petróleo e gás, o que proporciona uma operação mais simples, porém com perspectivas de crescimento mais limitadas.

Nos últimos anos, a PetroReconcavo entregou desempenho operacional consistente, mas teve dificuldades para criar novas avenidas relevantes de crescimento. Além disso, sua estratégia de hedge reduziu a capacidade de capturar integralmente a recente alta dos preços do petróleo.

Na avaliação do banco, esses fatores tornam a tese menos atrativa do que a da PRIO.