Trump diz que acordo “vai terminar bem” apesar de impasse entre EUA e Irã

O presidente enfrenta pressão para encerrar um conflito que elevou os preços da energia e tem baixa popularidade entre os americanos

Felipe Moreira

Presidente dos EUA, Donald Trump
21 de maio de 2026
REUTERS/Kevin Lamarque
Presidente dos EUA, Donald Trump 21 de maio de 2026 REUTERS/Kevin Lamarque

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(Bloomberg) — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações com o Irã para um acordo provisório de paz “vão terminar bem”, mesmo após novos confrontos entre forças dos dois países nas proximidades do Estreito de Ormuz.

Em publicação na Truth Social no domingo à noite, Trump disse que as especulações constantes sobre a possibilidade de um acordo não ajudam as negociações. O entendimento em discussão prevê a extensão do cessar-fogo por cerca de dois meses, a reabertura do estreito pelo Irã e o fim do bloqueio americano aos portos iranianos.

“É MUITO mais difícil para mim fazer meu trabalho e negociar adequadamente quando comentaristas políticos ficam dando palpites negativos”, escreveu Trump. “Apenas relaxem, tudo vai terminar bem no final.”

O presidente enfrenta pressão para encerrar um conflito que elevou os preços da energia e tem baixa popularidade entre os americanos. Ao mesmo tempo, precisa lidar com possíveis críticas caso os EUA concordem em desbloquear bilhões de dólares em recursos iranianos, uma das exigências de Teerã.

As tensões, porém, continuam elevadas. Os Estados Unidos atacaram no fim de semana radares e centros de comando iranianos, classificando a ação como uma resposta “proporcional” a atitudes consideradas agressivas por Teerã, incluindo a derrubada de um drone sobre águas internacionais.

Em retaliação, a Guarda Revolucionária do Irã atingiu uma base aérea, segundo a agência semioficial Fars. Já o Kuwait informou nesta segunda-feira que suas defesas aéreas estavam enfrentando ataques de mísseis e drones hostis.

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Apesar dos confrontos, as negociações entre Washington e Teerã continuam. A agência Tasnim informou que os dois lados seguem propondo alterações ao rascunho do acordo, embora tenha ressaltado que não há garantia de um entendimento final.

O mercado de petróleo reagiu com alta. O barril do Brent avançou 2,8% nesta segunda-feira, para US$ 93,65, após ter acumulado queda superior a 11% na semana passada, refletindo o otimismo dos investidores com a possibilidade de um acordo e a redução do risco de uma guerra em larga escala.

Trump havia afirmado na sexta-feira, após reunião na Sala de Situação da Casa Branca, que tomaria uma “decisão final” sobre as negociações. No entanto, optou por adiar a definição enquanto as partes discutem detalhes sobre os estoques iranianos de urânio enriquecido e as condições para a reabertura do Estreito de Ormuz, que provavelmente exigirá operações de desminagem.

O Irã também insiste que qualquer acordo com os EUA inclua todos os conflitos na região, incluindo a guerra paralela entre Israel e o Hezbollah no Líbano.

Enquanto isso, Israel ampliou sua ofensiva no país vizinho e tomou o Castelo Beaufort, fortaleza da época das Cruzadas, no fim de semana. O Hezbollah, por sua vez, intensificou os ataques contra o norte de Israel. Segundo os militares israelenses, mais de 300 projéteis foram disparados pelo grupo durante o fim de semana.

Nos bastidores, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conversou com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para tentar viabilizar uma nova iniciativa de cessar-fogo. A proposta americana prevê, como primeiro passo, a interrupção dos ataques do Hezbollah contra Israel e a suspensão da escalada militar israelense em Beirute.

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Segundo a televisão estatal iraniana, uma versão preliminar do acordo daria ao Irã autoridade exclusiva para determinar a natureza das embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz, ponto que dificilmente será aceito por Washington. O texto também mencionaria o compromisso dos EUA de liberar US$ 12 bilhões em recursos congelados para bancos iranianos em até 60 dias. A Casa Branca não comentou as informações.