Aneel nega habilitação de 9 termelétricas do leilão de capacidade na mira da J&F

A agência reprovou nove usinas a gás que somavam 1,7 GW em contratos devido a falhas na comprovação econômico-financeira, rejeitando a apresentação de novos balanços após o anúncio da entrada da holding dos irmãos Batista no negócio

Reuters

Terminal de importação de gás da Eneva em Aracaju, Sergipe, Brasil, em 8 de outubro de 2024. REUTERS/Marta Nogueira
Terminal de importação de gás da Eneva em Aracaju, Sergipe, Brasil, em 8 de outubro de 2024. REUTERS/Marta Nogueira

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SÃO PAULO, 29 Mai (Reuters) – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu negar a habilitação de nove projetos de usinas termelétricas detidos pela EPP, empresa que a holding J&F negocia a compra de 30% do capital, que venceram o leilão de capacidade realizado pelo governo federal em março, segundo documentos publicados nesta sexta-feira.

Os dois leilões destinados a aumentar a segurança energética do Brasil, que negociaram perto de 19 gigawatts (GW) e R$64,5 bilhões em investimentos, resultaram na maior contratação do setor elétrico nacional, tendo 100 usinas novas e existentes como vencedoras, de grandes empresas como Petrobras, Eneva, Axia e Copel.

A J&F, grande geradora termelétrica que também se sagrou vencedora, contestou posteriormente o certame e buscava anular parcialmente os resultados, após questões no cadastramento de suas usinas ter deixado a empresa fora de algumas disputas contratuais.

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De acordo com portaria no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira, foram inabilitados os projetos de usinas a gás natural Altos I, Teresina EPP, Amarração EPP, Portinho BEP, Sergipe V, Aracati, Porto Norte Fluminense II C, Porto Norte Fluminense I B e Santa Clara.

Somando 1,7 GW de capacidade, os empreendimentos haviam ganhado contratos para disponibilizar potência para o sistema elétrico brasileiro a partir de 2028 e 2029, com investimentos totais estimados em R$7,6 bilhões.

Conforme nota técnica sobre a inabilitação, as empresas que compõem os consórcios donos das usinas, lideradas pela Evolution Power Partners (EPP), “não preenchem os requisitos de habilitação econômico-financeira, ao não apresentarem elementos… que possibilitariam a aferição de algumas subcontas dos respectivos balanços patrimoniais, além de se verificar que… está ocorrendo dupla contagem do mesmo patrimônio”.

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Ainda segundo o documento, após o leilão, a EPP comunicou à Aneel a possível entrada da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, no quadro societário da EPP, com a compra de 30% do capital. Mas a Aneel vedou a apresentação pela EPP de novos balanços patrimoniais após a reestruturação societária ligada à J&F, com base no entendimento de que isso não poderia ocorrer após o certame.

Procurada, a J&F não comentou imediatamente.

O grupo EPP foi um dos vencedores do primeiro leilão de capacidade realizado pelo governo brasileiro, em 2021, e também vendeu projetos na época para a J&F.

As inabilitações dos empreendimentos da EPP também ocorre após alerta feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de uma investigação sobre as chamadas “geradoras de papel”, empresas que ganham leilões de energia sem ter ativos em operação e capital próprio compatível com investimentos assumidos para, depois, vender projetos no mercado secundário.

NOVAS HABILITAÇÕES

Ainda nesta sexta-feira, foram publicadas no DOU mais habilitações de vencedoras do leilão de capacidade, representando 2,3 GW de um total de 19 GW contratado.

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Estão na lista de novas habilitações usinas da Eneva, da Delta Geração de Energia, da Faixa Preta Investimentos, do fundo de investimentos Natural Capital Infra II e a UTE Tacaimbó I.

Na semana passada, a Aneel confirmou os primeiros contratos de usinas termelétricas negociados no leilão, após a Justiça ter rejeitado pedidos de suspensão do resultado do certame.

(Por Letícia Fucuchima; Edição de Eduardo Simões e Tatiana Ramil)

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