EUA classificam Comando Vermelho e PCC como “organizações terroristas globais”

Governo Lula tentou barrar essas designações, preocupado que elas abrissem espaço para sanções ou até uma eventual ação militar dos EUA em território brasileiro

Equipe InfoMoney

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, durante coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, em 5 de maio. Fotógrafa: Stefani Reynolds/Bloomberg
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, durante coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, em 5 de maio. Fotógrafa: Stefani Reynolds/Bloomberg

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O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou nesta quinta-feira (28) o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Terroristas Globais Especialmente Designados e anunciou que pretende incluí-los na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho.

O governo Lula tentou barrar essas designações, preocupado que elas abrissem espaço para uma eventual ação militar dos EUA em território brasileiro ou para sanções contra bancos que, mesmo sem saber, mantenham relações com integrantes das facções.

A medida segue designações anteriores de Trump, que já havia classificado diversos grupos criminosos do México e de outros países como organizações terroristas.

No comunicado, assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, o governo americano descreve CV e PCC como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”, com histórico de ataques contra policiais, autoridades e civis. Segundo Washington, a rede das facções já ultrapassa as fronteiras brasileiras, alcançando países vizinhos e os próprios EUA.

Segundo o comunicado, com a nova classificação, os EUA podem:

O Departamento de Estado enquadrou a medida na estratégia da administração Trump de tratar grandes facções latino-americanas como “narco‑terroristas”, ampliando o uso de sanções e instrumentos de combate ao tráfico e ao crime organizado na região.

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Repercussão política

A medida segue designações anteriores de Trump, que já havia classificado diversos grupos criminosos do México e de outros países como organizações terroristas. Lula visitou a Casa Branca no início deste mês, numa tentativa de barrar o que o Brasil vê como uma iniciativa contraproducente, que traria riscos tanto para o sistema financeiro do país quanto para sua soberania.

O presidente brasileiro tentou, em vez disso, convencer Trump a aprofundar a cooperação dos EUA com os esforços de seu governo para combater grupos como o PCC, mirando operações de lavagem de dinheiro e redes de contrabando.

O líder de esquerda também enxerga a designação como um passo que poderia abrir caminho para que os EUA justifiquem ação militar em território brasileiro, especialmente num contexto de ataques aéreos em série contra suspeitos de tráfico de drogas no Caribe — operação que derrubou o líder venezuelano Nicolás Maduro — e de expansão da atuação das Forças Armadas americanas pela região.

A decisão deve repercutir politicamente no Brasil às vésperas da eleição de outubro, em que Lula enfrenta uma disputa difícil com Flavio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump.

Com o tema da violência urbana no centro das preocupações dos eleitores, o mais jovem Bolsonaro tem prometido uma abordagem de “mão de ferro” na segurança pública. Nesta semana, ele teve um breve encontro com Trump na Casa Branca e disse ter pressionado o líder americano a aplicar a designação às facções.

A medida dos EUA também deve gerar incerteza no sistema financeiro e na economia brasileira, à medida que bancos e empresas tentam entender as implicações.

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No ano passado, os EUA miraram três bancos mexicanos por suspeita de lavar recursos do tráfico de drogas, na prática cortando seu acesso ao sistema financeiro americano.

Nos últimos anos, autoridades brasileiras afirmam ter encontrado indícios de que o PCC está lavando dinheiro por meio de fintechs. No ano passado, a Polícia Federal realizou a maior operação contra o crime organizado da história do país, desmontando um esquema de lavagem estimado em quase US$ 10 bilhões.

As relações entre Trump e Lula azedaram no ano passado, quando o presidente americano impôs tarifas pesadas ao Brasil, numa tentativa fracassada de impedir o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Os dois voltaram a se entender após um encontro improvisado na ONU, em setembro, e Trump saiu da reunião mais recente descrevendo Lula como um líder “dinâmico”.

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(Com Bloomberg)