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Tempo normal acabando e sem prorrogação: reta final do IR exige atenção redobrada

Prazo para entrega termina nesta sexta-feira (29); ampliação gigantesca dos cruzamentos de dados pela Receita Federal eleva os riscos

Anna França

Ativos mencionados na matéria

(Imagem: Pixabay)
(Imagem: Pixabay)

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A poucas horas do fim do prazo para entrega do Imposto de Renda 2026, especialistas alertam que a combinação entre pressa, documentos incompletos e falta de conferência aumenta significativamente o risco de cair na malha fina. A declaração deve ser enviada até esta sexta-feira (29), às 23h59, e quem ainda não prestou contas à Receita Federal precisa acelerar o passo sem abrir mão da revisão das informações.

Segundo o presidente do Sescon-SP, Antonio Carlos Santos, os erros mais comuns nesta reta final continuam sendo falhas aparentemente simples, como digitação incorreta de valores, inversão de números, preenchimento errado de centavos e divergências entre os dados informados pelo contribuinte e os informes enviados por bancos, empresas, cartórios e instituições financeiras .

“O principal é revisar cuidadosamente todas as informações e conferir se os dados estão compatíveis com aqueles já informados à Receita Federal por terceiros. Salários, aposentadorias, investimentos e demais receitas precisam coincidir exatamente com os informes das fontes pagadoras”, afirma Santos .

Receita cruza dados quase em tempo real

Neste ano, o pente-fino da Receita ganhou ainda mais força. Além dos tradicionais informes de rendimentos, o Fisco utilizou uma montanha gigantesca de dados vindos de fontes como:

Na prática, estão entre os pontos mais monitorados as inconsistências envolvendo:

Outro fator que ampliou os cruzamentos em 2026 foi o fim da DIRF, obrigando a Receita a concentrar ainda mais informações em bases digitais integradas e automatizadas.

Leia Mais: Saiba como declarar herança, espólio e imóveis recebidos no Imposto de Renda

Despesas médicas lideram erros

Historicamente, os gastos com saúde seguem entre os maiores gatilhos de malha fina. Segundo o Sescon-SP, muitos contribuintes lançam despesas sem documentação adequada, esquecem reembolsos de planos de saúde ou informam valores divergentes daqueles declarados por clínicas, médicos e operadoras.

“O contribuinte não pode confiar apenas na memória. A Receita cruza rapidamente os dados informados pelos profissionais e pelos planos de saúde”, alerta Santos .

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Especialistas em direito tributário também recomendam atenção especial aos dependentes, principalmente em casos de:

Nessas situações, erros de duplicidade ou omissão costumam chamar atenção do Fisco.

Heranças

Outro foco que precisa de atenção redobrada neste ano envolve heranças, inventários e atualização de imóveis recebidos por sucessão. Especialistas alertam que muitos contribuintes confundem herança isenta com ausência de obrigação declaratória, especialmente em casos de espólio, venda de imóvel herdado e atualização de valor patrimonial. Com a troca de informações com os cartórios, a base de dados da Receita ficou muito mais ampla e os riscos também.

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Declaração pré-preenchida

Outro erro frequente nesta reta final é confiar cegamente na declaração pré-preenchida. Embora o sistema facilite o preenchimento automático, especialistas ressaltam que o contribuinte continua responsável pelas informações transmitidas. Dados incompletos, divergentes ou enviados incorretamente por terceiros podem migrar automaticamente para a declaração.

Por isso, a recomendação é conferir:

– informes bancários
– aplicações financeiras
– despesas médicas
– previdência privada
– compra e venda de imóveis e veículos
– rendimentos de dependentes

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E se faltar documento?

Para quem ainda não conseguiu reunir todos os informes, o Sescon-SP orienta avaliar o risco de atraso. “Se faltar documento relevante de rendimento ou despesa dedutível importante, o ideal é aguardar até conseguir a informação correta, desde que ainda haja tempo. Mas, se houver risco de perder o prazo, pode ser mais prudente entregar a declaração com os dados já confirmados e depois fazer uma retificação”, afirma Santos.

A orientação vale também para casos de perda de informes bancários, comprovantes médicos ou inconsistências identificadas na reta final. O mais importante, segundo especialistas, é evitar preencher valores estimados ou sem comprovação documental.

Multa começa em R$ 165

Quem é obrigado a declarar e perder o prazo estará sujeito a multa mínima de R$ 165,74. Quando houver imposto devido, a penalidade sobe para:

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A cobrança é gerada automaticamente após o envio em atraso e passa a sofrer incidência de juros pela Selic se não for quitada em até 30 dias. No fim, especialistas resumem essa reta final do IR em uma recomendação simples: é melhor gastar alguns minutos revisando a declaração agora do que meses tentando sair da malha fina depois.

Veja os erros mais comuns

– despesas médicas sem comprovantes
– esquecer rendimentos de dependentes
– divergência com informes bancários
– erros em investimentos e previdência
– atualização incorreta de bens
– omissão de venda de imóveis ou veículos
– operações em bolsa não declaradas
– confiar sem revisão na pré-preenchida

Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro