China adia entregas da Airbus para pressionar Europa sobre aviões chineses

Pequim adiou a liberação de cerca de 20 jatos da fabricante europeia como represália à lentidão de reguladores ocidentais para validar o modelo chinês C919, concorrente do A320 e do Boeing 737

Reuters

Aeronave Airbus A350-1000 se apresenta durante uma exibição de voo no 55º International Paris Airshow no Aeroporto Le Bourget, perto de Paris, França, em 18 de junho de 2025 REUTERS/Benoit Tessier
Aeronave Airbus A350-1000 se apresenta durante uma exibição de voo no 55º International Paris Airshow no Aeroporto Le Bourget, perto de Paris, França, em 18 de junho de 2025 REUTERS/Benoit Tessier

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26 Mai (Reuters) – A China tem adiado ⁠a aprovação das entregas do Airbus para ⁠demonstrar impaciência com a demora dos reguladores europeus em certificar ‌as aeronaves Comac fabricadas na China, informou a Bloomberg News na terça-feira.

A Administração de Aviação Civil da China (CAAC na sigla ‌em inglês) adiou a aprovação final que permitiria que os aviões da Airbus entrassem no país e fossem colocados em serviço nos últimos meses, disse a reportagem, citando fontes familiarizadas com o assunto.

De acordo com a reportagem, a Airbus entregou no ⁠primeiro ‌trimestre o menor número de jatos comerciais desde 2009. O ⁠presidente-executivo Guillaume Faury afirmou no mês passado que o atraso se deveu a uma “questão administrativa” que impediu a entrega de quase 20 aeronaves destinadas à China.

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Na teleconferência de resultados da Airbus de 28 de abril, Faury disse que ​o problema havia sido resolvido e que os aviões não entregues seriam enviados no segundo trimestre.

O diretor financeiro Thomas ​Toepfer disse que a Airbus havia acumulado cerca de 5 bilhões de euros (US$5,82 bilhões) em estoques no trimestre, significativamente mais do que no ano anterior, sendo a interrupção da entrega na China o principal fator. Ele disse que a ‌aeronave ‘havia sido construída e estava pronta, mas ​não pôde ser entregue’.

Em janeiro, a Reuters informou que o órgão regulador de segurança da aviação da Europa, a EASA, estava realizando voos de teste ⁠para avaliar o ​avião C919 da ​Comac para certificação, o que permitiria que a fabricante chinesa de aviões comercializasse o ⁠jato para as companhias aéreas ​ocidentais pela primeira vez. Atualmente, as companhias aéreas europeias e outras ocidentais não podem voar com os jatos da Comac.

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Em um comunicado, a EASA ​afirmou que o trabalho de validação do C919 está ‘progredindo com a total cooperação da Comac e da ​CAAC’, mas acrescentou que ⁠não poderia comentar sobre o cronograma previsto para a conclusão do projeto de ⁠validação.

A certificação de segurança da EASA expandiria significativamente a presença global da Comac, já que o C919 compete diretamente com o A320 da Airbus e o 737 da Boeing.

(Reportagem de Anusha Shah em Bengaluru, Julie Zhu em Hong Kong e Sophie Yu em ​Pequim)