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O rali das ações de tecnologia voltou a concentrar a atenção dos investidores globais e deixou o Brasil em segundo plano na disputa por capital.
Em abril, o mercado americano teve uma das recuperações mensais mais rápidas de sua história. Depois de uma queda de cerca de 10% no Nasdaq, alimentada por dúvidas sobre a rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial, o índice saltou mais de 15%, enquanto o S&P 500 avançou mais de 10%. O impulso mais recente veio da Nvidia (NVDC34), que voltou a divulgar resultados sólidos e reforçou a confiança no setor.
O movimento foi acompanhado de perto por gestores brasileiros que estiveram em Nova York para a Brazil Week. A agenda incluiu reuniões com fundos voltados a energia e tecnologia, mercados de fusões e aquisições e gestoras com estratégias de valor relativo. A impressão geral foi de otimismo estrutural com tecnologia, especialmente em inteligência artificial e infraestrutura energética, temperado por cautela tática diante das altas expressivas recentes.
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O balanço foi apresentado no programa Carteiros do Condado, conduzido por Lucas Collazo e Davi Fontenele, com participação de Felipe Relvas, CIO da MMZR Family Office. Relvas esteve em Nova York com agenda semelhante à dos apresentadores, visitando gestores americanos e fundos especializados.
“O otimismo é enorme”, disse Relvas ao comentar o humor dos gestores americanos com o setor de tecnologia. Ele destacou o caso da Electron Capital Partners, gestora focada em energia que aumentou sua exposição ao mercado americano de 33% para 70% do portfólio, apostando que os investimentos em infraestrutura energética serão indispensáveis para sustentar a expansão da inteligência artificial.
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Medo com software não se confirmou
Uma das surpresas relatadas pelos participantes foi a ausência de preocupação generalizada com o impacto da inteligência artificial sobre empresas de software. Apesar do debate crescente sobre disrupção tecnológica, os gestores encontrados em Nova York se mostraram relativamente tranquilos.
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“Ou eles me enganaram muito bem, ou eles realmente não estão preocupados”, disse Relvas. A avaliação é que softwares essenciais — como sistemas hospitalares — têm baixíssima probabilidade de substituição imediata, o que reduz o risco de curto prazo.
Collazo acrescentou que há uma preocupação real, porém ainda em estágio inicial, com a implementação da inteligência artificial pelas empresas. “Advogados mais juniores já estão com dificuldade de conseguir emprego”, afirmou, apontando que o ganho de produtividade gerado pela tecnologia começa a reduzir a demanda por mão de obra em algumas áreas.
No campo dos investimentos, os gestores americanos identificam semicondutores e empresas de tecnologia concentradas nos Estados Unidos e na Ásia — com destaque para Taiwan e Coreia do Sul — como os principais “cavalos” dessa corrida. A TSMC (TSMC34) foi citada como empresa central nesse ecossistema. O índice de mercados emergentes chegou a subir, mas o movimento foi protagonizado basicamente por essas duas economias asiáticas, e não pelo conjunto dos emergentes.
Nesse contexto, o Brasil ficou de fora da conversa. “Voltei um pouquinho chateado da viagem”, admitiu Collazo. “Estava esperando que a galera estivesse falando mais da gente. É China, Taiwan, Índia, até Indonésia, antes de falar de Brasil”, desabafou.
