Publicidade
SÃO PAULO – “Concordamos que o mercado de títulos do Tesouro dos EUA deverá ser a próxima bolha a explodir”. A afirmação está inserida em relatório da instituição financeira Clearbrook e sintetiza o viés pelo qual seus analistas enxergam atualmente os títulos públicos norte-americanos, cuja performance tem sido a pior do ano na renda fixa – vide baixa de 2,1% nos yields das notas.
Para fundamentar a tese da bolha, a instituição observa o declínio de 10,5% durante janeiro nos rendimentos dos títulos norte-americanos do Tesouro com prazo de trinta anos, ao passo que uma trajetória ascendente nos yields destes ativos reflete a crença de que o governo do EUA cumprirá com suas obrigações, ou seja, sem o perigo de default. No entanto, com o orçamento pressionado pelos aportes bilionários aos bancos, o risco de calote passa a ser considerável.
Federal Reserve tenta
Além da queda dos yields, os analistas ressaltam a intenção do Federal Reserve de incluir títulos públicos de longo prazo em sua lista de compras no mercado aberto. Conforme a Clearbrook, tal inserção objetiva reduzir custos dos empréstimos de longo prazo para as corporações, bem como para hipotecas.
“Com isso, o Fed pode ter inconscientemente avisado aos compradores de títulos do Tesouro que logo poderá começar a adquirir dívida de longo prazo no mercado aberto, o que geraria lucros a esses compradores”, explana a instituição, listando ainda que a correlação entre essa aquisição e os juros de hipotecas e corporações quando tomam empréstimos é fraca, se não for negativa.
Sinais de ajuda
Em complemento, a Clearbrook enxerga alguns importantes sinais de ajuda no ambiente econômico durante este ano. Nesse sentido, seus analistas destacam a compra pelo Federal Reserve de hipotecas garantidas pelas agências Fannie Mae e Freddie Mac, o que se traduz em menores juros para financiamento. Além disso, a autarquia poderá expandir tal iniciativa para empréstimos de veículos e de cartões de crédito, o que traria alivio aos setores automobilístico e financeiro.
Colaterais
“É inevitável que a Fed Funds Rate se elevará nos EUA com as expectativas de inflação crescente geradas pela flexibilização da moeda e pelos quase US$ 2 trilhões a mais no orçamento fiscal neste ano”, prevêem os analistas, na crença de futuros apertos monetários. Por último, cabe ressaltar a expectativa da instituição financeira de corte no rating da dívida soberana dos EUA pela Standard and Poor’s, sendo apenas uma questão de tempo.