Selic em queda: mudança de postura do BC ou medida circunstancial?

Economista analisa a real motivação da autoridade monetária do Brasil ao diminuir a Selic em 1 ponto percentual

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SÃO PAULO – Para o economista Alberto Furuguem, trata-se com certeza da segunda opção. Em seu boletim MacroAnálise desta quarta-feira (28), oferecido pelo Banco Cruzeiro do Sul, ele adverte quem tenha pensado que a política monetária brasileira sofreu alguma mudança em virtude das recentes pressões setoriais internas e mesmo do Governo.

Mudança real ocorreu apenas para o cenário para a inflação, que vem apontando desde a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em dezembro, que o cumprimento da meta inflacionária de 2009 tenderá a ser tranquilo.

Em conjugação com essa perspectiva, a indicação de forte desaceleração no nível de atividade econômica também contribuiu para a redução de 100 pontos-base no juro básico brasileiro na última reunião do comitê, quando a grande expectativa do mercado era de corte de 0,5 ou 0,75 ponto percentual.

Controle da inflação em outros países

Em comparação com os EUA, por exemplo, o economista aponta que o controle da inflação é objetivo essencial, mas não explícito, da política monetária conduzida pelo Fed – que também se ocupa do desempenho da atividade econômica e do nível de emprego.

Na União Europeia, a prática de estipular o teto de 2% para a inflação anual é tradicional, mas também não é o único fator do qual cuida o Banco Central Europeu, que dirige grande parte dos esforços de suas políticas para o estímulo à atividade. Essa tendência se verifica não só no velho continente, mas nas economias em geral, emergentes ou desenvolvidas.

“Único objetivo”

Já no caso do Brasil, Furuguem destaca que a política monetária tem como “único objetivo” o cumprimento da meta inflacionária, relegando a segundo plano quaisquer outros fatores, o que pode explicar o fato de o Brasil ter sido o único país em 2008 a não estourar o teto da meta.

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Nesse sentido, considera impossível antecipar com precisão qual será a próxima decisão da autoridade monetária brasileira na próxima reunião do Copom, em março. “Tudo vai depender do comportamento da inflação, medida pelo IPCA”, diz. E completa: “O que dita, efetivamente, a orientação do Copom é o comportamento da inflação, comparativamente à meta”.

Perspectiva

O economista projeta que é possível que o Copom dê continuidade ao processo de flexibilização, mas alerta que isso não significa mudança de parâmetros na condução da política monetária no Brasil. O clima para o prosseguimento dos cortes será dado pela desaceleração inflacionária, que é muito provável que se mantenha.

Entretanto, ainda ressalva que, com uma menor oferta de recursos no mercado financeiro internacional e a volta de altos déficits em conta corrente, pode vir uma sequência de desvalorizações do real. Se esse quadro se confirmar, Furuguem chama atenção para uma possível limitação do Banco Central em continuar promovendo cortes na taxa básica de juro brasileira.