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A morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, no sábado (23), voltou a provocar discussões sobre o uso de substâncias perigosas no esporte. A doença citada no atestado de óbito dele foi cardiomiopatia hipertrófica, condição cardíaca mais comum caracterizada pelo espessamento inexplicável do músculo cardíaco (hipertrofia), geralmente no ventrículo esquerdo.
A cardiomiopatia hipertrófica faz uma parte do músculo do coração crescer além do normal. Essa parede mais grossa deixa o coração mais rígido, dificulta a saída do sangue e pode bagunçar os impulsos elétricos que controlam os batimentos. Esse espessamento pode levar a arritmias graves, insuficiência cardíaca e morte súbita.
Se o ritmo não for revertido rapidamente, o coração deixa de bombear sangue para o cérebro e outros órgãos, levando à parada cardiorrespiratória e à morte.
Oportunidade com segurança!
Nascido no Rio de Janeiro, Gabriel Ganley se popularizou ao compartilhar vídeos sobre musculação, rotina fitness e preparação física nas redes sociais, onde era conhecido como BBzinho. Ele tinha cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram.
Entre 2023 e 2024, Gabriel se destacou em competições de fisiculturismo natural, no qual os atletas são proibidos de turbinar a forma física com substâncias como esteroides anabolizantes. No entanto, no ano passado, revelou publicamente que havia começado a usar anabolizantes.
Sintomas
Os sintomas mais comuns incluem falta de ar, dor no peito, palpitações, tontura e desmaios. Porém, em muitos casos, o primeiro sinal pode ser a morte súbita.
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Especialistas afirmam que a doença pode ter origem genética — considerada uma das principais causas de morte súbita em pessoas com menos de 35 anos no Brasil e no mundo — ou ser adquirida ao longo da vida, inclusive com participação do uso de esteroides anabolizantes.
Treinos intensos ou competições que sobrecarregam o coração estão entre as principais razões para a condição. O aumento acelerado dos batimentos durante o esforço pode desencadear arritmias malignas, como taquicardia ventricular e fibrilação ventricular.
O uso de anabolizantes também está entre os principais fatores de risco para a doença, uma vez que essas substâncias podem elevar a pressão arterial e aumentar a carga de trabalho do coração.
Insulina
Gabriel já tinha falado publicamente sobre o uso de insulina para aumentar o ganho muscular. Muitos a usam também para melhorar a reposição de glicogênio após treinos intensos.
A lógica por trás disso é que a insulina é um hormônio altamente anabólico: ela ajuda a transportar glicose, aminoácidos e outros nutrientes para dentro das células musculares, favorecendo armazenamento de energia e síntese proteica.
No fisiculturismo, ela costuma ser associada ao uso de carboidratos rápidos e, às vezes, a esteroides anabolizantes ou hormônio do crescimento, numa tentativa de potencializar crescimento muscular e recuperação. Porém, esse uso é considerado extremamente arriscado fora de indicação médica.
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O uso inadequado de insulina pode acarretar uma série de sintomas, como tremores, suor frio, confusão mental, perda de consciência, convulsões, coma e morte.
Morte súbita
A morte súbita cardíaca é uma das ocorrências mais comuns entre homens fisiculturistas, segundo uma pesquisa publicada no ano passado no European Heart Journal.
“Tenho observado um número crescente de relatos de mortes prematuras entre pessoas envolvidas com fisiculturismo e fitness. Esses eventos trágicos, que frequentemente afetam atletas jovens e aparentemente saudáveis, evidenciam uma lacuna em nossa compreensão dos riscos à saúde a longo prazo associados ao fisiculturismo competitivo. Até o momento, nenhum estudo avaliou a incidência de morte e morte súbita nessa modalidade esportiva”, afirmou Marco Vecchiato, da Universidade de Pádua, na Itália, e autor do estudo.
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A pesquisa reuniu 20.286 fisiculturistas masculinos a partir dos registros oficiais de competições e de um banco de dados online não oficial. Todos os homens haviam participado de pelo menos um evento da Federação Internacional de Fitness e Fisiculturismo entre 2005 e 2020.
Os pesquisadores então buscaram relatos de mortes de qualquer um desses competidores em diferentes fontes da internet, incluindo notícias da mídia oficial, redes sociais, fóruns de fisiculturismo e blogs.
As mortes relatadas foram então cruzadas usando múltiplas fontes, e esses relatos foram verificados e analisados por dois médicos para estabelecer, na medida do possível, a causa da morte.
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Eles encontraram 121 mortes entre os homens, com idade média de 45 anos — as mortes cardíacas súbitas representaram 38% delas. O risco de morte cardíaca súbita foi maior entre fisiculturistas profissionais, com um aumento de mais de cinco vezes em comparação com amadores.
Segundo os pesquisadores, entre os achados comuns, estavam espessamento ou aumento do coração e, em alguns casos, doença arterial coronariana. Em alguns casos, análises toxicológicas e laudos disponíveis publicamente revelaram abuso de substâncias anabolizantes.
Gabriel foi descoberto por um amigo no apartamento em que o jovem morava, na Mooca, Zona Leste de São Paulo, após dias sem que familiares e amigos conseguissem contato com ele. O corpo do fisiculturista e influenciador será cremado nesta segunda-feira (25), segundo informações da família. A cerimônia será fechada, com a presença apenas de parentes próximos.
