O que Leandro Karnal e Gabriela Prioli pensam sobre não ficar obsoleto na era da IA

Durante o Senior Experience 2026, em São Paulo, Karnal e Prioli afirmaram que avanço da IA amplia importância de repertório, senso crítico e experiência humana

Vitor Oliveira

Gabriela Prioli e Leandro Karnal durante a Senior Experience, em São Paulo, nesta quinta-feira (21). Foto: Divulgação
Gabriela Prioli e Leandro Karnal durante a Senior Experience, em São Paulo, nesta quinta-feira (21). Foto: Divulgação

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O avanço da inteligência artificial já alterou a forma como profissionais trabalham, estudam e produzem conhecimento. O historiador, professor e escritor Leandro Karnal e a advogada e comunicadora Gabriela Prioli afirmam que a principal disputa do mercado de trabalho nos próximos anos poderá estar menos ligada ao domínio técnico das ferramentas e mais à capacidade humana de interpretação, repertório e julgamento crítico — algo que IA não tem, apenas replica.

Os insights foram elaborados durante palestra sobre tecnologia e comportamento, na Senior Experience 2026, que aconteceu em São Paulo (SP), na última quinta-feira (21).

Ao discutir os temores em torno da inteligência artificial, Karnal comparou o momento atual a outras transformações tecnológicas da história. Segundo ele, diferentes gerações também reagiram com receio à imprensa, à calculadora, ao streaming, ao GPS e aos computadores.

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“Toda vez que nós temos uma tecnologia, causa essa ansiedade. Estamos preocupados se nos tornaremos obsoletos, se nós teremos emprego. Estamos preocupados se não seremos engolidos”, disse.

Para Prioli, a diferença atual está na velocidade das mudanças. Essa velocidade das transformações digitais, segundo ela, alterou a percepção de tempo e aprofundou sensações de esgotamento e insegurança.

“A tecnologia traz um componente de encurtamento do tempo. Hoje em dia está tudo mais achatado”, afirmou.

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O valor do repertório humano

Karnal acredita que a principal diferença humana ainda está na capacidade de julgamento e curadoria. Na avaliação do historiador, profissionais capazes de interpretar, selecionar e validar informações tendem a ganhar espaço em um cenário de excesso de conteúdo produzido por algoritmos.

“Mais do que nunca, nós precisamos de alguém que ainda saiba fazer curadoria, inclusive daquilo que é único, especial e irrepetível”, disse.

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Karnal também criticou a ideia de que sistemas atuais sejam equivalentes à inteligência humana.

“Não existe inteligência artificial. O que existem são condensações de conhecimento. A inteligência artificial até consegue escrever como Clarice Lispector, mas a gente precisa pedir para ela que escreva como Clarice. E para isso, a gente precisa saber que existe Clarice Lispector. É aí que está o valor do nosso repertório.”

— Leandro Karnal, historiador, professor e escritor

Inteligência emocional e pensamento crítico

Prioli defendeu que o uso passivo da inteligência artificial pode comprometer capacidades cognitivas importantes. “Estamos com medo de sermos substituídos pela inteligência artificial quando a gente entrega para ela o nosso trabalho mesmo antes de ela estar pronta”, disse.

A advogada afirmou que o diferencial dos profissionais estará ligado à capacidade de interpretar contextos, conectar informações e tomar decisões em situações ambíguas. Ao citar teorias sobre múltiplas inteligências desenvolvidas ao longo do século 20, ela argumentou que habilidades emocionais e práticas tendem a ganhar relevância.

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“A inteligência emocional é um campo que a inteligência artificial não vai conseguir dominar completamente.”

— Gabriela Prioli, advogada e comunicadora

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Como usar a IA sem abrir mão da autonomia

Segundo Prioli, o problema não está no uso da ferramenta, mas na ausência de participação crítica do usuário. “Não tem problema nenhum usar a inteligência artificial. Tem todo problema entregar tudo de maneira absolutamente acrítica para a inteligência artificial”, disse.

O historiador afirmou que estudar línguas, aprender instrumentos musicais e ler ontinuam relevantes para o desenvolvimento cognitivo.

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Para Karnal, o problema não está na tecnologia em si, mas na renúncia à autonomia intelectual.

“O ideal é usar o Waze e conhecer o caminho”, afirmou. “Não vou recusar a tecnologia que me auxilia. Mas não vou abrir mão da minha capacidade de pensar.”

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