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NICOSIA, 22 Mai (Reuters) – A economia da Europa está em uma tendência estagflacionária devido ao aumento dos preços da energia causado pela guerra no Irã, mas os governos devem estar atentos ao fato de que um apoio fiscal generoso poderia arriscar uma crise fiscal ou taxas de juros mais altas, disseram autoridades da UE nesta sexta-feira.
A Comissão Europeia projetou na quinta-feira que o crescimento econômico da zona do euro desacelerará para 0,9% em 2026, de 1,3% em 2025, e a inflação saltará de 1,9% para 3,0%, bem acima da meta de 2,0% do Banco Central Europeu.

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‘Há uma pressão estagflacionária, mas a Europa é resiliente’, disse o presidente dos ministros das Finanças da zona do euro, Kyriakos Pierrakakis.
Os investidores começaram a se preocupar com a possibilidade de a guerra no Irã causar um choque inflacionário duradouro, e os rendimentos dos títulos dos governos subiram para os níveis mais altos da década, ameaçando afetar seriamente o poder de compra dos governos, das empresas e das famílias.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse aos ministros que se eles afrouxarem demais a política fiscal para amortecer o impacto dos preços da energia, o BCE reagirá com taxas de juros mais altas.
‘Discutimos a resposta fiscal ao choque do preço da energia e eu enfatizei que as medidas fiscais devem… (ser) temporárias, direcionadas e adaptadas’, disse Lagarde as repórteres após as discussões.
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‘Qualquer desvio desses três princípios seria, na verdade, prejudicial e levaria a uma postura diferente da política monetária como resultado’, disse ela.
Pierrakakis disse que os ministros entenderam a mensagem.
‘Certamente todos nós entendemos que não devemos contradizer a política monetária. A política fiscal e a política monetária devem andar de mãos dadas’, disse Pierrakakis em uma coletiva de imprensa.
Medidas direcionadas
A Comissão Europeia pediu aos governos que usem apenas suporte fiscal direcionado e temporário para os grupos mais vulneráveis, mas muitos países, cautelosos com o descontentamento dos eleitores, já adotaram medidas como cortes nos impostos sobre a gasolina.
‘Em termos de resposta política, recomendamos que sejam adotadas medidas temporárias e direcionadas, não para sustentar e aumentar a demanda por combustíveis fósseis, tendo em vista o espaço fiscal limitado’, disse o Comissário Econômico Europeu, Valdis Dombrovskis.
Alguns governos, como o da Itália, estão pressionando para que a Comissão Europeia exclua o apoio fiscal do governo aos preços dos combustíveis dos cálculos do déficit da UE, da mesma forma que os gastos com defesa, mas nem a Comissão nem a maioria dos ministros das Finanças querem isso.
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‘Sei que alguns países estão propondo isso, mas abrir uma cláusula de escape geral é difícil, porque esta é uma crise de oferta, e não de demanda’, disse o ministro das Finanças da Bélgica, Vincent van Peteghem, a repórteres.