“Vale é sólida demais para negociar com um desconto tão grande”, afirma JPMorgan

Banco americano elevou preço-alvo para os ativos e manteve recomendação equivalente à compra para os papéis

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Logo da Vale na NYSE/Reuters
Logo da Vale na NYSE/Reuters

Publicidade

O desempenho das ações da Vale (VALE3) é muito atrelado ao minério, tendo enfrentado volatilidade neste mês com controles mais rigorosos da capacidade de produção de aço na China, pelo aumento contínuo da oferta de Simandou na Guiné e pelas persistentes interrupções no Estreito de Ormuz, que elevam os custos de frete e energia em todo o mercado marítimo.

Assim, conforme aponta o JPMorgan, os preços do minério de ferro sofreram uma leve pressão, com os preços spot (à vista) se mantendo em aproximadamente US$ 108/t (tonelada).

Ao analisar as mineradoras globais nos preços spot e taxas de câmbio atuais, o JPMorgan ressaltou que a Rio Tinto oferece o maior potencial de crescimento do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em relação ao consenso e à estimativa do banco. Nos preços spot, a Rio Tinto é a que mais se beneficia em comparação com as estimativas do consenso e do banco, com um potencial de crescimento de 11% em relação ao consenso e 10% em relação à estimativa dos analistas, caso os preços do minério de ferro se mantenham nos níveis atuais.

Já a Vale continua se destacando como a empresa mais subvalorizada entre seus pares.

“Com base em múltiplos (EV, ou valor da firma/EBITDA), a Vale continua sendo a opção mais barata entre as mineradoras globais, negociando a 4,9x (vezes) em seus cenário base contra 6,9x para concorrentes, e a 4,9x a preços spot contra 6,4x para concorrentes”, apontam os analistas.

A Vale ainda oferece os maiores rendimentos de FCF (fluxo de caixa livre) e dividendos tanto no cenário spot quanto no cenário-base.

Continua depois da publicidade

Aos preços spot atuais, o banco espera-se que a Vale apresente rendimentos de FCF e dividendos de 7,0% e 6,2%, respectivamente, em comparação com as médias de concorrentes de 4,4% e 4,1%.

“Em nosso cenário base, vemos a Vale apresentando um rendimento de FCF de 7,3% contra uma média de concorrentes de 3,7%, e um rendimento de dividendos de 6,1% contra 3,8% para concorrentes”, aponta. O JPMorgan ressalta, no entanto, que o fluxo de caixa da Vale a preços spot está sendo pressionado por custos de frete elevados e taxas de câmbio desfavoráveis.

“A Vale é simplesmente sólida demais para estar sendo negociada com um desconto tão grande. A empresa tem consistentemente apresentado resultados fortes, sustentados por ativos de classe mundial e demonstrado versatilidade de portfólio para se adaptar às mudanças nas condições de mercado”, avaliam os analistas.

Desta forma, eles veem que essa qualidade de ativos se traduz em vantagens estruturais de custo, uma trajetória de crescimento crível para o cobre e uma história de retorno convincente para os acionistas, tudo isso mantendo um balanço patrimonial saudável com um múltiplo de 1 vez a relação entre dívida líquida e EBITDA. “Em nossa opinião, o desconto atual não reflete o histórico de execução e o portfólio prospectivo da Vale e deve diminuir à medida que a empresa continuar a apresentar resultados”, aponta.

Em outro relatório, o JPMorgan revisou suas estimativas para a Vale, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 99 para R$ 104 e a recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) mantida.

Os analistas atualizaram as estimativas para incluir os resultados do 1T26, os preços de mercado das commodities e as estimativas mais recentes de câmbio no modelo. “Assumimos preços do minério de ferro de US$ 99/t para 2026 e US$ 93/t para 2027, resultando em um EBITDA de US$ 17,268 bilhões em 2026. No total, vemos a Vale com um preço-alvo de US$ 19,5/ADR (recibo de ações negociado em Nova York)”, versus valor de US$ 18,50 da última revisão.

Continua depois da publicidade

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.