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SÃO PAULO, 21 Mai (Reuters) – As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) sustentaram ganhos firmes até o início da tarde desta quinta-feira, mas pouco depois das 14h despencaram em sintonia com o mergulho dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em meio a rumores de que há uma versão final para um acordo entre EUA e Irã.
Em meio à esperança renovada de encerramento da guerra entre os países, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,805%, em baixa de 6 pontos-base ante o ajuste de 13,863% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,13%, com recuo de 4 pontos-base ante o ajuste de 14,17%.
Na primeira metade da sessão, a curva de juros brasileira acompanhou a alta da curva de Treasuries, em mais um dia de preocupações nos mercados com a guerra no Oriente Médio.
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Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na véspera que poderia esperar alguns dias pelas “respostas certas” de Teerã, nesta quinta-feira uma reportagem da Reuters informou que o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, determinou que o urânio do país, com grau de pureza próximo ao usado em armas, não seja enviado ao exterior.
O destino do estoque de urânio enriquecido é um dos pontos sensíveis nas negociações de paz entre os dois países e a determinação de Khamenei foi vista como um endurecimento de Teerã nas negociações de paz.
Pouco depois das 14h, no entanto, os mercados globais viraram. Rumores sobre a existência de uma versão final para um acordo entre EUA e Irã aumentaram o otimismo entre os investidores, fazendo o petróleo passar a cair e os rendimentos dos Treasuries cederem.
No Brasil, após marcar a máxima intradia de 14,040% (+18 pontos-base) às 9h01, logo após a abertura, a taxa do DI para janeiro de 2028 despencou para 13,760% (-10 pontos-base) às 14h45.
Perto deste horário o dólar também marcou a mínima do dia ante o real e o Ibovespa atingiu o pico da sessão, refletindo a expectativa de que um acordo possa de fato ser fechado.
Passado o impacto da tarde, as taxas futuras recuperaram um pouco de fôlego, mas ainda assim encerraram em baixa.
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Investidores também seguiram consolidando apostas de que, em função da guerra, o Banco Central reduzirá a Selic em junho, antes de paralisar o atual ciclo de cortes da taxa básica.
Na última terça-feira — dado mais recente — as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 65% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 30% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 2,75% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.
Para a decisão seguinte, em agosto, os percentuais eram de 53% para manutenção, 33,5% para corte de 25 pontos-base e 8,5% para redução de 50 pontos-base.
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No campo político, o principal foco de atenção ainda é o noticiário sobre as relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, que está preso.
Desde a semana passada, Flávio tem lutado para explicar um pedido de dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado.
Flávio alega ter buscado recursos privados para o filme, sem oferecer qualquer vantagem em troca. Vorcaro está no centro de um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil, que levou a um desembolso de bilhões de reais do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
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Durante a tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em um evento que “ainda vai aparecer muito mais coisa” no caso que envolve Flávio e Vorcaro.
No mercado, um dos receios é de que a candidatura de Flávio ao Planalto siga sendo desgastada pelo escândalo, elevando as chances de reeleição de Lula.
No exterior, às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– mostrava estabilidade, a 4,57%.

