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SÃO PAULO – O presidente norte-americano, Barack Obama, mal chegou ao cargo e já foi bombardeado por uma série de problemas sob sua administração, dentre eles o maior desde a Grande Depressão, a crise econômica. Mas apesar de seus esforços, conflitos de interesse ameaçam as boas intenções.
Oficiais de sua administração, assim como outros membros da equipe econômica do governo, estão realizando reuniões quase ininterruptas com executivos de Wall Street para elaborar um plano para resgatar o sistema financeiro dos Estados Unidos de um colapso total.
No entanto, uma questão parece empatar o avanço das negociações: quem irá arcar com o prejuízo, empresas e instituições ou os próprios contribuintes? Quando chega a hora de enfrentar o problema, cada um prefere se manter neutro sem chamar a responsabilidade para si.
Comédia dantesca
Na “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, quem morria e não tinha tido tempo ou oportunidade de ser batizado era colocado em um lugar especial, o limbo, onde ficava por anos vagando, sem ter nenhum rumo ou um desfecho conclusivo para o seu destino.
Apesar da trágica alegoria, é o que pode acontecer com as novas medidas sendo propostas para salvar a economia norte-americana, afirmam fontes próximas às negociações. Segundo elas, anos podem passar sem que nada de concreto seja aprovado para resgatar o setor financeiro da crise.
O plano que está sendo discutido no momento, e que tem muitas semelhanças com o plano da administração Bush, diz respeito à criação de novo banco controlado pelo governo, para comprar todos os ativos sem liquidez do mercado, que até o momento somam mais de US$ 1 trilhão.
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Existe um preço justo?
Uma outra questão fundamental seria a de como avaliar o valor desses títulos “podres”, de uma forma que as instituições não vendam por um preço muito baixo, afetando seu balanço contábil, e também que não atinjam um valor muito alto, já que quem pagará pelo socorro serão os contribuintes dos EUA.
Segundo fontes familiares com a discussão, existem dois desfechos possíveis para essa questão. O primeiro seria uma espécie de variação híbrida do plano original para a criação desse novo banco, sendo alguns ativos adquiridos pelo governo e outros cobertos por seguro ou outras garantias. O segundo não é nada animador: as negociações poderiam durar até dez anos, ou mais, caso cheguem a uma conclusão.
Comportamento “vergonhoso”
Com grandes esperanças e planos, mas sem nada concreto, a nova administração dos EUA terá grande esforço pela frente. Mas alguns passos já foram dados, mostrando a direção que o governo tomará sobre a questão. Como com o pronunciamento de Obama em relação aos US$ 18,4 bilhões pagos em bônus durante o ano de 2008.
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Em um período que o bolso dos contribuintes está cada vez menor, e que o sistema financeiro nacional se encontra em crise, uma notícia como essa soa “vergonhosa”, afirmou o presidente durante um encontro com o novo secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e seu vice-presidente, Joe Biden. “Nós não conseguiremos fazer o que precisa ser feito para estabilizar a situação financeira se o povo americano continuar a ler notícias sobre esse tipo de comportamento ultrajante”, afirmou.