Dólar comercial tem nova disparada e renova máxima desde junho de 2005

Fluxo cambial de novembro ficou negativo novamente, explicitando a continuidade da saída de dólares do país

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SÃO PAULO – Após operar com instabilidade no início da tarde, o dólar comercial disparou e fechou em intensa alta nesta quarta-feira (3), renovando sua máxima desde 9 de junho de 2005. A mesma tendência da moeda norte-americana foi vista frente às divisas de referência global, como euro, libra esterlina e franco suíço.

Mesmo com a forte depreciação do real frente ao dólar, o Banco Central não ofertou contratos de swap cambial nesta sessão. Em compensação, foi realizado leilão de dólares com compromisso de recompra para financiar exportações. A oferta total era de US$ 2 bilhões, mas a colocação foi de US$ 1,957 bilhão.

Dados divulgados pela autoridade monetária nesta quarta-feira mostraram a continuidade da saída de dólares do país. O fluxo cambial acumulado em novembro ficou negativo em US$ 7,159 bilhões, configurando o pior resultado desde janeiro de 1999.

O total acumulado do ano ficou positivo em US$ 5,281 bilhões, porém este valor vem caindo, pressionado, principalmente, pela seqüência de oito meses de saldo financeiro negativo iniciada em abril. No mesmo período de 2007, o total acumulado era de US$ 82,057 bilhões.

Além disso, o preço das commodities no exterior segue recuando, aumentando as preocupações em relação à balança comercial brasileira.

Tensões do cenário externo

A forte aversão ao risco entre os investidores tem origem novamente nos indicadores negativos do dia que, espalhados pelo mundo, mostraram mais sinais de deterioração da economia.

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Nos EUA, o resultado do ADP Employment mostrou que em novembro foram fechadas cerca de 250 mil vagas de trabalho no setor privado do país, acima das 205 mil esperadas. Enquanto isso, no mercado imobiliário, o número de pedidos de hipotecas na passagem semanal aumentou, fortalecendo as tensões.

O Reino Unido foi foco de preocupação mais uma vez ao registrar um crescimento do total de pessoas beneficiadas pelo seguro-desemprego na região, chegando a seu maior patamar desde março de 2001. A confiança do consumidor britânico, por sua vez, foi a menor apontada em pelo menos quatro anos.

Confira as cotações

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,4730 na compra e R$ 2,4750 na venda, forte alta de 3,47% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 2,5000, representando um ágio de 1,09% em relação ao dólar comercial.

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Com esta alta, o dólar acumula valorização de 6,68% em dezembro, frente à alta de 7,41% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 39,36%.

Dólar futuro na BM&F também fechou em alta

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em janeiro encerrou o dia cotado a R$ 2.505, forte alta em relação ao fechamento de R$ 2.424 da última terça-feira. O contrato com vencimento em fevereiro também teve forte alta, atingindo R$ 2.520 frente à R$ 2.437 do fechamento de terça-feira.

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 2,4348690.

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Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 3,30% para março de 2009, 0,20 ponto percentual abaixo do fechamento anterior.