CEO de banco abre crise após falar em trocar “capital humano de menor valor” por IA

Executivo do Standard Chartered muda tom depois de anunciar corte de 8 mil vagas e virar alvo de críticas

Bloomberg

Bill Winters (Paul Yeung/Bloomberg)
Bill Winters (Paul Yeung/Bloomberg)

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O presidente-executivo do Standard Chartered, Bill Winters, tentou acalmar funcionários depois que seus comentários sobre o uso de inteligência artificial para substituir “capital humano de menor valor” provocaram forte reação nas redes sociais e até de uma ex-chefe de Estado.

“Muitos de vocês devem ter visto a cobertura da mídia após o Investor Event em Hong Kong, especialmente as matérias sobre automação, IA e mudanças na força de trabalho”, escreveu Winters em um memorando aos funcionários nesta quarta-feira, visto pela Bloomberg News. “Eu sei que isso pode ser desconfortável quando reduzido a manchetes simplistas ou a uma citação fora de contexto.”

Um porta-voz do Standard Chartered confirmou o teor da nota.

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As declarações de Winters, feitas na terça-feira, ocorreram enquanto o banco, sediado em Londres, revelava planos para eliminar quase 8.000 cargos de suporte ao longo dos próximos quatro anos — sendo uma das primeiras instituições financeiras globais a detalhar como espera usar IA para reduzir o quadro de pessoal.

“Não se trata de corte de custos; é, em alguns casos, substituir capital humano de menor valor pelo capital financeiro e de investimento que estamos alocando”, disse ele em um briefing, acrescentando que os funcionários afetados receberiam “aviso prévio claro e adequado”.

A forma como o executivo se referiu aos trabalhadores gerou indignação nas redes sociais e em vários países da Ásia, região que responde pela maior parte dos lucros do Standard Chartered.

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Entre os críticos estava a ex-presidente de Singapura Halimah Yacob, que classificou a terminologia usada por Winters como “perturbadora” em um post no Facebook, criticando o fato de se falar de trabalhadores em termos tão clínicos. Singapura e Hong Kong são os principais hubs das operações globais do banco.

Em uma publicação posterior no LinkedIn, após o evento em Hong Kong, Winters não mencionou diretamente a IA nem os cortes de vagas, mas ainda assim enfrentou comentários duros na plataforma.

“Você chama seres humanos de ‘capital humano de menor valor’? Eu moro em Hong Kong e nunca farei negócios com o seu banco”, escreveu um usuário.

No memorando interno desta quarta-feira, o CEO adotou um tom mais empático, enfatizando o compromisso do Standard Chartered em acompanhar a transição da sua força de trabalho.

“Continuaremos investindo em tecnologia, plataformas e automação para melhorar nossa operação, o atendimento aos clientes e posicionar o banco para o crescimento de longo prazo”, disse Winters. “Quero ser absolutamente claro que o futuro do Standard Chartered depende do talento, do julgamento, das relações e do compromisso de vocês, nossos colegas.”

Embora tenha sede em Londres, o Standard Chartered gera a maior parte de sua receita na Ásia, África e Oriente Médio. Singapura abriga seu maior acionista, o investidor estatal Temasek Holdings.

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Um porta-voz da Temasek se recusou a comentar as declarações do executivo feitas na terça-feira.

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