Tecnologia “made in Brasil” quer democratizar o surfe em piscina de ondas no país

Modelo patenteado da Infinity Wave, em parceria com a USP, promete reduzir quase à metade o custo e ancora complexo de R$ 500 milhões em Atibaia

Iuri Santos

Simulação da piscina de ondas do Atibaia Beach Club. (Foto: Divulgação/Infinity Wave)
Simulação da piscina de ondas do Atibaia Beach Club. (Foto: Divulgação/Infinity Wave)

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Uma tecnologia patenteada por uma companhia brasileira promete reduzir em quase metade o custo de piscinas de ondas artificiais. Com base em tecnologia desenvolvida pela Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica da USP (FCTH), a Infinity Wave quer levar a experiência do surfe em áreas urbanas para além do público de altíssima renda e pretende inaugurar o primeiro empreendimento em 2028.

“O nosso propósito é democratizar o surfe. A ideia é que, com piscinas mais baratas, a população tenha acesso. Hoje há diversas opções no Brasil, mas elas são restritas ao público AAA”, afirma o CEO da Infinity Wave, Luiz Roberto Júnior.

Atualmente, o custo para se associar a clubes com piscinas de ondas próprias para o surfe chega a mais de R$ 1 milhão no Brasil. A queda no custo da tecnologia por trás dos simuladores teria impacto direto no preço do título no empreendimento batizado de Ilhas Beach Club, localizado em Atibaia (SP), projetado em R$ 150 mil.

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A Infinity Wave Company nasceu a partir de um estudo encomendado por Júnior ao FCTH da USP em 2020. À época, o executivo já havia decidido incluir uma piscina de surfe no projeto do empreendimento Ilhas de Atibaia, do qual o Ilhas Beach Club faz parte. “Eu tentava viabilizar esse empreendimento desde 2016, mas a conta só fechava para um público AAA”, explica.

De acordo com ele, havia limitações tanto para financiar o projeto de um condomínio com piscina própria quanto para investir no simulador. De um lado, a lei que regula as multipropriedades, aprovada em 2018, tornou financeiramente viável colocar o projeto de pé por meio da venda de frações. De outro, a tecnologia de ondas artificiais evoluiu para patamares de custo mais acessíveis.

“O principal motivo para buscarmos uma tecnologia própria foi a qualidade da onda. Tínhamos receio de que as tecnologias disponíveis ficassem obsoletas”, diz. Na época, as opções de mercado com aproximadamente 21 mil metros quadrados custavam cerca de R$ 120 milhões — hoje, Júnior estima algo em torno de R$ 140 milhões. Com a Infinity Wave, o projeto sai por cerca de R$ 80 milhões.

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Como funciona a tecnologia

A grande inovação do sistema desenvolvido e patenteado pela empresa em 2024 é um conjunto de 30 placas capazes de ajustar a inclinação do fundo da piscina em tempo real. O mecanismo permite criar diferentes tamanhos e tipos de ondas por meio de um software — com um motor mecânico, essas ondas são geradas em duas direções, o que permite 18 surfistas em cada lado.

Com uma tecnologia própria em mãos, a Infinity Wave passou a ser mais do que um braço de negócios imobiliários. Cada piscina gera uma margem de lucro de aproximadamente 25%, e a companhia já mantém conversas para projetos em Goiânia, Belo Horizonte, Santa Catarina e na República Dominicana.

“Mas hoje estou 100% focado no nosso empreendimento próprio. Sabemos que, depois de entregar, as vendas vão explodir. Muitas negociações dependem de o comprador ver a piscina funcionando”, afirma Júnior.

Localizado às margens da Rodovia Dom Pedro, em São Paulo, o projeto Ilhas de Atibaia ocupa um terreno plano de 100 mil metros quadrados e foi concebido como um ecossistema integrado. O espaço vai reunir um resort de multipropriedade, centro de convenções para o segmento corporativo, parque aquático, pista de skate e uma área comercial de lojas e restaurantes em formato de open mall — além, claro, do clube de surfe.

O orçamento total projetado para o desenvolvimento de todo o complexo imobiliário é de R$ 500 milhões, dos quais R$ 100 milhões destinados especificamente ao clube. O modelo financeiro prevê a comercialização de frações imobiliárias a um ticket médio de R$ 70 mil.

Iuri Santos

Repórter de inovação e negócios no IM Business, do InfoMoney. Graduado em Jornalismo pela Unesp, já passou também pelo E-Investidor, do Estadão.