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A cúpula do presidente Donald Trump com seu homólogo chinês, Xi Jinping, terminou na semana passada sem um grande avanço, mas ainda assim alcançou o objetivo de Pequim de se colocar em pé de igualdade com os Estados Unidos.
Enquanto isso, o poder industrial da China continua impulsionando sua liderança nas exportações, sua inteligência artificial já está próxima dos modelos mais avançados e suas capacidades militares estão cada vez mais sofisticadas.

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Com os EUA envolvidos no Irã, alianças se desgastando e a dívida aumentando, a narrativa sobre os Estados Unidos tem seguido a direção oposta: a de uma superpotência em declínio.
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“Mas em pelo menos uma área — a disputa financeira — ocorre o contrário. A China está estagnada, permitindo que os Estados Unidos dominem por inércia”, apontou Ruchir Sharma, presidente da Rockefeller International, em um artigo de opinião no Financial Times.
A história dos impérios anteriores mostra que o aumento da influência econômica normalmente leva uma moeda a conquistar uma fatia maior das reservas globais, observou ele.
Mas o yuan chinês, também chamado de renminbi, representa apenas 2% dos ativos mantidos por bancos centrais no mundo, mesmo com a economia chinesa respondendo por 17% do PIB global. Da mesma forma, a China concentra 15% do comércio mundial, enquanto o yuan é usado em apenas 2% das faturas comerciais.
Em contraste, o dólar responde por cerca de 58% das reservas globais, embora essa participação esteja diminuindo, e por 54% das faturas de comércio. Além disso, quase 90% das transações cambiais realizadas no mercado de balcão são feitas em dólares.
Sharma estimou que a segunda maior economia do mundo está entre 30 e 40 anos atrás da trajetória histórica das superpotências. Esse atraso também chama atenção diante do crescimento explosivo das finanças globais, com o valor dos ativos financeiros tendo quadruplicado nos últimos cinco décadas.
O “privilégio exorbitante” da dominância do dólar é conhecido há muito tempo, permitindo que os Estados Unidos tomem empréstimos com custos menores do que suas finanças excessivamente gastadoras normalmente permitiriam. Os EUA também recorreram fortemente ao dólar para impor sanções financeiras — uma ferramenta que o yuan não oferece.
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“A China continuará sendo uma superpotência incompleta até conseguir igualar esse poder financeiro”, escreveu Sharma. “Por décadas, manteve seu sistema financeiro mais fechado do que o de qualquer outra grande nação.”
Como resultado, investidores estrangeiros possuem menos de 5% das ações e títulos na China, enquanto os controles de capital contiveram grande parte da forte expansão da oferta monetária doméstica, acrescentou ele, descrevendo os mercados chineses como uma “prisão local”.
Pequim teme que o capital deixe o país caso as restrições sejam flexibilizadas, mas os investidores não verão a China como um lugar seguro até que o yuan seja negociado de forma mais livre, disse Sharma.
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Ainda assim, a China está tentando tornar o yuan uma moeda mais internacional. Ele vem sendo usado com mais frequência no comércio de petróleo, e a guerra no Irã levou a especulações de que o “petrodólar” poderia dar lugar ao “petroyuan”.
Além disso, o uso do yuan entre bancos centrais ao redor do mundo cresceu recentemente. Até o fim de março, o Banco Popular da China havia disponibilizado US$ 16,4 bilhões por meio de linhas de swap cambial, o maior valor em dois anos e o aumento trimestral mais acentuado em três anos.
Indicando o quanto os EUA levam os swaps cambiais a sério, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, sugeriu recentemente que essas linhas podem ajudar a reforçar a dominância e o papel do dólar como moeda de reserva.
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Em outra frente, o yuan também subiu uma posição no ranking global e se tornou a quinta moeda mais utilizada em pagamentos internacionais, segundo a plataforma financeira SWIFT.
Mesmo assim, Sharma acredita que a China precisa flexibilizar mais seu sistema, acrescentando que controles menos rígidos podem, na prática, estimular a entrada de capital em vez de provocar fuga de recursos.
“Sem uma abertura mais ousada, a China nunca desafiará a dominância financeira dos Estados Unidos nem realizará plenamente sua ambição de se tornar uma superpotência”, afirmou.
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