Dólar comercial supera R$ 2,50 e atinge maior patamar desde maio de 2005

BC afirma que suas intervenções já atingiram o total de US$ 49,5 bilhões; incertezas quanto à crise pressionam mercado cambial

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SÃO PAULO – Depois de certa instabilidade durante a tarde, o dólar comercial volta a disparar nesta quinta-feira (4) e ultrapassa o patamar dos R$ 2,50, máxima desde 2 de maio de 2005.

Mesmo com a contínua escalada da divisa norte-americana frente ao real, o Banco Central não anunciou leilões de dólares. Segundo Henrique Meirelles, presidente da autoridade monetária, as atuações no mercado de câmbio atingiram US$ 49,5 bilhões de setembro a novembro, sendo US$ 31 bilhões em operações desse tipo.

O órgão já vendeu US$ 6,7 bilhões em dólares das reservas internacionais, que somam cerca de US$ 200 bilhões. Em empréstimos, foram colocados no mercado US$ 6,4 bilhões em leilões de dólares de linhas externas e outros US$ 5,3 bilhões nos leilões de moeda direcionados ao comércio exterior.

Cenário externo

Com a agenda doméstica vazia, as tensões tiveram raízes no exterior. Nem mesmo o discurso de Ben Bernanke pôde amenizar as incertezas frente à crise mundial. Entre os maiores problemas da economia norte-americana, o crescimento das execuções hipotecárias foi a pauta do presidente do Federal Reserve.

As execuções hipotecárias são uma das principais preocupações, por não trazerem apenas custos para as famílias que perdem suas casas como também “custos sociais significativos”, como maior pressão no preço dos imóveis, redução das receitas com impostos e aumento na criminalidade.

Entre as propostas sinalizadas pelo chairman, destaque à possibilidade de compra de grandes volumes de hipotecas inadimplentes ou em risco para então refinanciá-las através dos programas da FHA (Federal Housing Administration).

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Os indicadores dos EUA vieram negativos mais uma vez. O número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na última semana revelou-se o maior desde dezembro de 1982, enquanto o volume de pedidos à indústria teve recuo de 5,1% durante outubro, superando a baixa estimada de 4,5%.

O BCE (Banco Central Europeu) deliberou pelo maior corte da história em seu juro básico: 75 pontos-base. Flexibilizações monetárias também apareceram nas decisões dos bancos centrais de Inglaterra, Suécia e Dinamarca.

Confira as cotações

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,5060 na compra e R$ 2,5080 na venda, forte alta de 1,33% em relação ao fechamento anterior. Com esta alta, o dólar acumula valorização de 8,10% em dezembro, frente à alta de 7,41% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 41,22%.

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Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em janeiro encerrou o dia cotado a R$ 2.550, forte alta em relação ao fechamento de R$ 2.505 da última quarta-feira. O contrato com vencimento em fevereiro, por sua vez, fechou em leve baixa, atingindo R$ 2.517 frente a R$ 2.520 do fechamento de quarta-feira.

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 2,5070000.

Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 3,00% para março de 2009, 0,30 ponto percentual abaixo do fechamento anterior.