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Em novembro, a moeda norte-americana escalou quase 10% de valorização e, nesses primeiros dias de dezembro, acumula 5% de alta. Por trás desse movimento, existem tanto fundamentos quanto um “q” de especulação. Pelo lado dos fundamentos podemos eleger:
- O impacto da redução dos fluxos de capitais para o Brasil via recursos de investimentos de curto prazo, leia-se para bolsa e renda fixa;
- Redução de investimentos de longo prazo, afinal, se algumas empresas estão demitindo, nós podemos inferir que elas também irão reduzir os seus volumes de inversões para se adequar à nova realidade econômica mundial;
“Não há motivos fundamentais para crer em dólar abaixo de R$ 2,00” - Aproximação de vencimentos de diversos contratos e as tradicionais remessas de capitais ou lucros de empresas multinacionais para as sua matrizes no exterior;
- A possibilidade de recessão mundial poderá acarretar ao Brasil um superávit comercial menor, impactando positivamente a cotação da moeda americana;
Pelo o lado da especulação é sabido e notório que um dos maiores mercados de “apostas” é o mercado cambial. Como temos um corolário de notícias que podem dar estímulo à apreciação do dólar é natural que investidores procurem aproveitar a possibilidade de lucrar com esse movimento.
Outro ponto que merece ser destacado é que o presidente do Banco Central declarou em recente encontro na Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica) que “o BC não tem meta para a taxa de câmbio, nem defende cotações específicas”. Segundo ele, a atuação da autoridade monetária visa apenas corrigir distorções na formação de preços em função de problemas de liquidez do mercado.
O BC continua realizado leilões para renovação dos swaps, mantendo a estratégia de se posicionar no “mercado” quando necessário. Mas pela própria fala do Sr. Meirelles depreende-se que não há “teto” pré-estabelecido para a moeda norte-americana.
Segundo os dados do BC divulgados em 3 de dezembro, o País ainda acumula superávit cambial nas operações comerciais de US$ 48,02 bilhões, frente aos US$ 76,74 bilhões registrados no último ano.
Os números já mostram que dificilmente o País irá bater a performance registrada em 2007. Enquanto as cotações de commodities continuarem a ceder, combinadas com anúncios de redução de folha salarial (pay-roll), anúncios de redução de investimentos e alta volatilidade no mercado internacional, nós não teremos motivos fundamentais para crer em dólar abaixo de R$ 2,00.
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É muitíssimo importante compreender que o Brasil é ainda basicamente um exportador de commodities, com destino econômico muito atrelado à performance da economia mundial. Nós nos beneficiamos de anos de crescimento na demanda por produtos básicos, e por si só é natural entender que a redução nos fluxos de comércio internacional irá de alguma forma nos afetar.
O crecimento anualizado de 6,4% do PIB no terceiro trimestre ainda não contempla recrudescimento da crise financeira internacional, que se deu a partir de 15 de setembro, quando houve a quebra do Lehman Brothers, o quarto maior banco norte-americano.
Portanto, esse desempenho é considerado como o ápice do crescimento e alguns economistas não descartam uma queda de até 1% no quarto trimestre em comparação com o terceiro trimestre, e até mesmo recessão em 2009.
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Marcelo Faro é gerente de Negociação Eletrônica da Intra Corretora e escreve excepcionalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
marcelo.faro@infomoney.com.br