Fusões e aquisições globais ainda não conseguem se recuperar plenamente no 1° tri

Dados da FTI Consulting mostram uma redução de 4,4% no volume de M&As em comparação ao último trimestre de 2025

Iuri Santos

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O cenário para as fusões e aquisições global no primeiro trimestre de 2026 seguiram a tendência do final de 2025. Com uma redução de 4,4% no volume em relação ao último trimestre do ano anterior e 5,3% na comparação com o mesmo período, o mercado ainda não deu tração a uma recuperação.

Os dados da FTI Consulting sinalizam para um cenário de manutenção da abordagem disciplinada na alocação de capital, com compradores estratégicos respondendo por aproximadamente 82,5% da atividade global de negócios. Fusões e aquisições intra-setoriais representaram 58,6% das transações globais.

“Esse dado conversa com a leitura da FTI: não há uma recuperação ampla, há um mercado concentrado em compradores com tese clara e estratégicos”, avalia, o advogado de direito societário e M&A, Rodrigo Baraldi.

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De acordo com o relatório da FTI Consulting, a atividade de fusões e aquisições por setor no primeiro trimestre de 2026 seguiu desigual, refletindo níveis variáveis de atividade entre os diferentes segmentos. O cenário refletiria que as oportunidades de fusões e aquisições dependem cada vez mais da seleção do setor do que do dinamismo geral do mercado.

O setor industrial foi o que mais atraiu M&As, com 1,857 transações anunciadas, equivalente a 29,2%. Tecnologia da informação foi o segundo, com 1,143 negócios, ou 18%, segundo o levantamento da FTI Consulting.

Dados da S&P Global mostram um outro aspecto do mercado de fusões e aquisições: o valor anunciado dos negócios no primeiro trimestre de 2026 chegou a US$ 861,1 bilhões, o maior início de ano desde 2021. A análise da S&P, no entanto, aponta para 7.924 negócios, uma redução de 30% no volume de negócios.

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“O que motiva esse movimento é uma combinação de três forças: estratégia, tecnologia e alocação seletiva de capital. Empresas fortes estão comprando para consolidar mercado, ganhar escala, acessar capacidades de IA, dados, infraestrutura, talentos e proteger posicionamento competitivo”, afirma Baraldi.

A FTI Consulting considera que o valor agregado de transações no primeiro trimestre foi impulsionado por uma quantidade limitada de grandes negócios, com várias transações superiores a US$ 10 bilhões, contribuição desproporcional para o total geral.

Iuri Santos

Repórter de inovação e negócios no IM Business, do InfoMoney. Graduado em Jornalismo pela Unesp, já passou também pelo E-Investidor, do Estadão.