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Por que é que as pessoas por mais que estudem a fundo as escolas mais tradicionais de mercado, fundamentalista e técnica (grafista), acabam invariavelmente cometendo erros na avaliação de ativos e investimentos?
Porque o comportamento do indivíduo costuma mudar de acordo com as diferentes situações econômicas que a ele se apresentam.
| “O maior erro é estar sempre à procura do rendimento máximo” |
Se individualmente existe essa dificuldade de avaliação, imagine quando as pessoas se agrupam para tomar decisões financeiras, o grau de dificuldade que encontram?
Estudos cada dia mais avançados, inovações em análises, avaliações de indicadores e disciplina operacional são exemplos de como as pessoas procuram incansavelmente o sucesso em operações financeiras que lhes propiciem retornos cada vez maiores.
No entanto, a utilização de instrumentos e ferramentas tecnológicas teoricamente avançadas ao invés de produzirem uma situação real acaba gerando apenas simulações de comportamento padronizado, que não condiz com uma rede complexa de relações comunicativas como a do mercado e com uma ciência social como a economia.
Mesmo o assunto sendo muito interessante, vamos deixar de lado um pouco essa teoria dos mercados e falar um pouco da parte prática, senão essa coluna vira um divã de psicanalista financeiro.
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Um economista famoso de mercado costuma dizer que: “cama de mulher bonita, mesa de bom restaurante e bolsa de valores, todo mundo sabe a hora de entrar, mas não sabe a hora de sair”.
Acredito que, em se tratando de ativos financeiros, a hora de entrada é tão importante como a de saída.
Essa situação que vivemos hoje na bolsa de valores é bem ilustrativa.
Quando o mercado subia sem parar, quantos daqueles que no início não acreditavam na alta mais tarde se posicionaram na compra, impulsionados pelo otimismo contagiante, na tentativa de ganhar algo também e esquecendo do que pensava antes? Quantos na queda brusca que se seguiu irão aguardar o chamado fundo do poço para comprar ações?
A busca de um pouco mais. Isto acontece em qualquer mercado: dólar, ouro, bolsa, renda fixa, commodities e etc…
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Acontece também nas decisões coletivas, como a dos bancos centrais pelo mundo diante da crise e do banco central do Brasil na definição da taxa de juros. Acabam tendo decisões reativas e influenciadas pelos agentes de mercado quando deveriam atuar preventivamente e com sentido indutor.
O mercado de renda fixa pode parecer mais fácil de operar que os mercados de renda variável, mas o fato de se ter que aguardar um determinado prazo, uma rentabilidade pré-estabelecida enquanto os outros mercados flutuam e possibilitam ganhos rápidos provoca uma sensação de perda de oportunidades e conservadorismo desnecessário para quem estuda tanto os mercados.
Muitos são os erros que cometemos ao operar, mas a meu ver o maior de todos eles é estar sempre à procura do rendimento máximo possível, nos limites de baixa e nos limites de alta dos ativos. Querer sempre o máximo do rendimento que a aplicação pode render, não se contentar com aquilo que no início procurou estabelecer e se influenciar com o consenso de que vai um pouco mais.
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Invariavelmente essa busca do ótimo nos leva a amargar prejuízos e paixões em posições que se tornam perdedoras.
Há 35 anos no mercado financeiro, Waldir Kiel Junior é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às quartas-feiras.
waldir.kiel@infomoney.com.br