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Dólar hoje cai mais de 1% com exterior, política local e dados de atividade no radar

Impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã segue no radar dos investidores

Felipe Moreira

Notas de dólar
28/04/2017
REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa
Notas de dólar 28/04/2017 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa

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O dólar à vista opera com baixa perante o real nesta segunda-feira (18), devolvendo parte da forte alta da sessão anterior, quando fechou acima de R$ 5,06, com investidores atentos ao cenário externo, ao noticiário político no Brasil e aos dados de atividade divulgados nesta manhã.

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Qual foi a cotação do dólar hoje?

Às 11h, o dólar comercial operava em baixa de 1,10%, aos R$ 5,012. O dólar futuro para junho – atualmente o mais líquido no mercado brasileiro – recuava 0,36% na B3, aos R$ 5,056.

Dólar comercial

O que aconteceu com dólar?

O Banco Central informou nesta manhã que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) cedeu 0,7% em março ante fevereiro na série com ajustes sazonais, mais que a baixa de 0,2% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Foi a primeira queda mensal desde setembro do ano passado. Na comparação com março de 2025, houve ganho de 3,1% pela série sem ajustes.

Apesar da queda mensal na margem, o IBC-Br fechou o primeiro trimestre do ano com alta acumulada de 1,3%. O indicador é considerado uma espécie de sinalizador para o Produto Interno Bruto (PIB) oficial, a ser divulgado no fim do mês.

Mesmo com o recuo mensal do IBC-Br, no mercado a percepção é de que há menos espaço para corte da Selic — hoje em 14,50% ao ano — nos próximos meses, entre outros motivos por conta da pressão inflacionária gerada pela continuidade da guerra no Oriente Médio.

Uma fonte paquistanesa disse à Reuters nesta segunda-feira que o Paquistão compartilhou com os Estados Unidos uma proposta revisada do Irã para acabar com a guerra. A fonte não deu detalhes sobre a proposta, mas disse que os lados “continuam mudando seus objetivos”.

Nesta manhã, o petróleo Brent LCOc1 cedia, mas ainda assim se mantinha em patamar elevado, perto dos US$108 o barril. Já o dólar subia ante a lira turca TRYUSD=R e a rupia indiana INRUSD=R, mas cedia ante o peso chileno CLPUSD=R e o rand sul-africano ZARUSD=R.

Internamente, investidores também seguem atentos aos desdobramentos do escândalo que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso.

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Na semana passada, uma reportagem do Intercept Brasil afirmou que Flávio pediu a Vorcaro R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Flávio nega ter cometido qualquer irregularidade e alega ter buscado recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer vantagens em troca.

No mercado, a percepção é de que a ligação de Flávio com Vorcaro eleva as chances de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reeleger em outubro. A continuidade do governo Lula é vista por agentes do mercado como um fator negativo para o ajuste das contas públicas.

“Naturalmente que o otimismo com o real diminuiu com a notícia de quarta-feira (‘Flávio Day 2’) e agora precisamos entender o quanto o mercado vai seguir desmanchando posições otimistas com relação às eleições”, escreveu o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes.

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Segundo ele, existe uma chance alta de o Federal Reserve mudar de ideia e subir juros ainda este ano. Somado a isso, espera-se uma mudança no fluxo cambial a partir de julho, em função da safra agrícola, e um aumento da volatilidade em função da disputa eleitoral, com “o modelo reduzindo espaço para nova rodada de queda do dólar, principalmente após a moeda cair 20%”.

(Com Reuters)