GPA tem prejuízo de R$ 1,34 bi no 1T e indica “incerteza de continuidade operacional”

A companhia divulgou nota explicativa juntamente com o balanço afirmando que há plano de recuperação judicial pendente de homologação que poderia garantir a capacidade de continuidade operacional

Camille Bocanegra

Ativos mencionados na matéria

(Divulgação: GPA)
(Divulgação: GPA)

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O GPA (PCAR3) reportou prejuízo líquido continuado de R$ 1,347 bilhão no primeiro trimestre de 2026, no balanço apresentado desta quinta-feira (14). O resultado foi pressionado principalmente por efeitos não recorrentes e sem impacto no caixa, que somaram R$ 1,014 bilhão no trimestre.

Com a divulgação, o grupo também afirmou que a condição, somada ao déficit de capital circulante líquido no montante de R$ 3,9 bilhões, indica incerteza relevante sobre a capacidade de continuidade operacional da companhia.

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Na nota explicativa foi divulgada junto com o balanço, o grupo varejista afirmou que há “dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional”. Em comunicado divulgado em 5 de maio, o GPA protocolou plano de recuperação extrajudicial aprovado pela maioria dos credores, que ainda segue pendente de homologação judicial.

O plano tem o condão de endereçar tanto a liquidez de curto prazo quanto a sustentabilidade financeira de longo prazo, segundo a companhia, pela possibilidade de melhorar o significativamente o capital circulante líquido.

Mesmo com a pendência, o GPA afirmou que o balanço apresentado leva em consideração a continuidade operacional, considerando a realização dos ativos e a liquidação dos passivos no curso normal das operações da companhia.

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No comunicado de resultados, a companhia informou que o plano de recuperação extrajudicial permitirá uma solução estruturada para os desafios financeiros do GPA.

Destaques do balanço

O GPA ampliou o prejuízo líquido das operações continuadas, ante perdas de R$ 93 milhões registradas em igual período do ano anterior. O resultado foi pressionado principalmente por efeitos não recorrentes e sem impacto no caixa, que somaram R$ 1,014 bilhão no trimestre. Com ajustes, o prejuízo líquido continuado ficou em R$ 333 milhões.

“Apesar do processo de Recuperação Extrajudicial ter impactado parcialmente o primeiro trimestre, a Companhia apresentou crescimento de vendas mesmas lojas, com estabilidade de market share em mesmas lojas no Estado de São Paulo(1) e desempenho positivo na Páscoa, período em que as categorias sazonais apresentaram crescimento superior ao consolidado da Companhia no trimestre”, diz o relatório.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado ficou em R$ 458 milhões, no 1º tri.

Para a companhia, os principais impactos extraordinários vieram da baixa de crédito no exterior, no valor de R$ 588 milhões, além de baixas de softwares, fundo de comércio, outros ativos e impairment (deterioração) de lojas. Excluindo esses efeitos, o prejuízo líquido continuado ajustado teria sido de R$ 333 milhões no trimestre.

A receita líquida caiu 8,2% na comparação anual, para R$ 4,3 bilhões, refletindo a descontinuação do formato Aliados, impactos do portfólio de lojas e a estratégia de priorização de canais mais rentáveis no e-commerce. Ainda assim, as vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) cresceram 0,6% no período.

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O Ebitda ajustado consolidado somou R$ 458 milhões no trimestre, alta de 12% ante um ano antes. Assim, a margem Ebitda ajustada avançou 1,9 ponto porcentual, para 10,5%.

O resultado financeiro líquido (pós-IFRS 16) ficou negativo em R$ 382 milhões no primeiro trimestre, piora de 20% na comparação anual. Segundo o GPA, o avanço das despesas financeiras refletiu principalmente a alta da taxa Selic, além do aumento de custos relacionados a garantias vinculadas a contingências.

Já o capex (investimentos) ajustado caiu 54,8% no trimestre, para R$ 87 milhões. A redução foi puxada principalmente pela desaceleração da expansão de lojas e menores investimentos em tecnologia da informação e logística.

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(com Estadão Conteúdo)