Equipe de Trump se frustra com falta de avanços em negociações com Cuba

Apesar de sanções mais duras e pressão sobre militares e elites, Washington não vê abertura política e econômica na ilha e volta a mirar empresas estrangeiras que fazem negócios com o regime

Bloomberg

Um homem participa de um encontro da comunidade de exilados cubanos em um comício por uma “Cuba livre” no centro de Miami, Flórida, EUA, em 26 de abril de 2026. REUTERS/Marco Bello
Um homem participa de um encontro da comunidade de exilados cubanos em um comício por uma “Cuba livre” no centro de Miami, Flórida, EUA, em 26 de abril de 2026. REUTERS/Marco Bello

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O governo do presidente Donald Trump está cada vez mais frustrado com o que considera uma falta de progresso em convencer a liderança cubana a abrir a economia e o sistema político da ilha, apesar da intensificação da pressão dos Estados Unidos.

Negociadores americanos estão tendo dificuldade para navegar entre o que veem como facções concorrentes — incluindo a família Castro, os militares, a burocracia do Partido Comunista e descendentes de outros líderes revolucionários — segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram anonimato para discutir deliberações privadas.

As duas partes ainda não alcançaram um avanço, apesar de múltiplas rodadas de negociação nos últimos meses e da pressão de Trump para impor fortes restrições ao suprimento de energia do país. Havana afirmou, nesta quinta-feira (14), que ficou completamente sem diesel e óleo combustível para suas envelhecidas usinas elétricas.

Enquanto isso, os EUA estão intensificando sanções direcionadas às elites que controlam Cuba. O alvo da semana passada foi o Grupo de Administración Empresarial SA (Gaesa), conglomerado empresarial administrado pelos militares cubanos, em uma estratégia que espelha o que os EUA adotaram na Venezuela quando começaram a apreender navios petroleiros que beneficiavam o presidente Nicolás Maduro e sua família.

Agora, a atenção se volta para outras empresas internacionais que fazem negócios em Cuba, incluindo operadoras hoteleiras espanholas, depois que os EUA sinalizaram que elas teriam cerca de um mês para encerrar qualquer operação com o conglomerado militar.

Questionado sobre o assunto, um funcionário da Casa Branca remeteu às declarações de Trump desta semana, nas quais o presidente disse que Cuba é “uma nação fracassada” que vem sendo mal administrada há muitos anos. Nos últimos meses, Trump tem alternado entre exaltar as negociações e sugerir que os militares americanos poderiam “dar uma passada” pela ilha após o fim da guerra com o Irã. Nesta terça-feira (12), ele afirmou que o país está pedindo ajuda, acrescentando que os EUA farão um acordo com Cuba “no momento certo”.

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A embaixada de Cuba em Washington não respondeu a um pedido de comentário.

Trump e o secretário de Estado Marco Rubio querem retirar do poder o presidente cubano Miguel Díaz-Canel e a família Castro — que controla Cuba desde que os irmãos Fidel e Raúl lideraram a revolução em 1959 — além de outras famílias no topo do regime. Esse objetivo é dificultado pela ausência de uma oposição crível na ilha desde então, disse uma das pessoas.

Fidel morreu há uma década, e Raúl Castro completará 95 anos no mês que vem, mas gerações mais jovens mantiveram o controle da ilha, incluindo Alejandro Castro Espín, filho de Raúl. Ele negociou secretamente a reaproximação com os EUA durante o governo Barack Obama, iniciativa que Trump desfez ao assumir o cargo em 2017. Sob orientação de Rubio, os EUA vêm conversando mais recentemente com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do velho Castro e sobrinho de Castro Espín.

No mês passado, uma delegação do Departamento de Estado viajou a Havana para conversas com o Ministério das Relações Exteriores de Cuba e com Rodríguez Castro. Foi a primeira visita desse tipo por parte dos EUA desde a era Obama.

O governo Trump também busca outras conquistas em termos de mudanças econômicas — como o pagamento, pelo regime, de ativos expropriados — e a libertação de presos políticos, segundo uma das pessoas.

“A coerção econômica e a pressão diplomática ainda não abalaram o regime”, disse Brian Fonseca, diretor do instituto de políticas públicas da Universidade Internacional da Flórida, em Miami.

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Rubio e o Departamento de Estado também acusam Havana de bloquear a tentativa de Washington de fornecer US$ 100 milhões em ajuda via Igreja Católica, a fim de conter uma crise agravada pela pressão americana, que tem causado apagões recorrentes e afetado hospitais, saneamento público, abastecimento de água e distribuição de alimentos.

Rubio previu, em entrevista transmitida na quarta-feira (13), que a economia cubana não deverá melhorar significativamente enquanto os atuais líderes permanecerem no poder.

“Vamos dar uma chance a eles”, disse Rubio à Fox News. “Mas não acho que isso vá acontecer. Não acho que conseguiremos mudar a trajetória de Cuba enquanto essas pessoas estiverem no comando desse regime.”

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