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O ex-prefeito de Itabaiana (SE) Valmir de Francisquinho, pré-candidato do Partido Liberal (Republicanos) ao governo de Sergipe, afirmou ser contra mulheres ocupando cargos políticos. A declaração ocorreu durante entrevista a uma rádio local, na última sexta-feira, 8, após ser questionado sobre a possibilidade de sua mulher, Thaylane Monique, disputar as eleições de 2026.
“Mulher minha não se envolve em política. Mulher e política? Esqueça!”, respondeu Francisquinho ao programa do radialista Carlino Souza, na Itabaiana FM.

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Após a repercussão negativa da declaração, o pré-candidato do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro se defendeu nesta terça-feira, 12, afirmando que suas falas foram distorcidas para incentivar ataques contra ele. O ex-prefeito disse ter um “histórico” de “decência e respeito” às mulheres.
“Em 2012, fui candidato e escolhi uma mulher para vice-prefeita, pois entendo a importância da mulher para a administração pública. Tive 13 secretarias na primeira gestão; nove eram comandadas por mulheres”, disse em entrevista à rádio Juventude FM.
Sobre a mulher, Monique Cruz Santos, Valmir afirmou ter conversado previamente com ela sobre a possibilidade de uma candidatura. “Minha mulher é advogada, profissional liberal, ela faz o que quiser. Mas nós conversamos. […] Ela já tinha dito que não tem pretensões (políticas)”, afirmou.
Essa não é a primeira polêmica do ex-prefeito. Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrou sua candidatura ao governo do Estado. Em 2018, o tribunal o condenou por abuso de poder político e econômico, tornando-o inelegível por oito anos, conforme a Lei da Ficha Limpa.
As declarações de Valmir sobre as mulheres geraram críticas de adversários políticos. A deputada estadual de Sergipe Kitty Lima (PSB) repudiou a declaração do ex-prefeito.
“Quando um homem diz que a mulher não entra na política, ele não fala apenas da própria casa; ele expõe uma visão atrasada sobre o lugar da mulher na sociedade”, afirmou.
Na sequência, a parlamentar defendeu maior participação feminina nos espaços de poder. “A política precisa de mais mulheres criando leis, decidindo orçamentos e ocupando espaços de poder. Uma sociedade justa não se constrói afastando mulheres do espaço de decisão”, completou.
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As mulheres representam mais da metade da população brasileira, com 51,5%, mas ainda têm baixa representação política. Na composição atual do Senado, por exemplo, elas ocupam menos de 20% das cadeiras. Na Câmara dos Deputados, as mulheres ocupam atualmente 91 das 513 vagas, o equivalente a cerca de 17,7% da Casa.
Segundo dados do TSE referentes às últimas quatro eleições no Brasil, as mulheres correspondem a 53% do eleitorado. Apesar disso, apenas 34% dos candidatos são mulheres, e somente 17% conseguem se eleger.
A única mulher eleita presidente da República na história do País, Dilma Rousseff (PT), sofreu um processo de impeachment e foi afastada antes de concluir o segundo mandato, em 2016.
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