Petrobras cai após 1T mesmo com petróleo e JPMorgan recomenda: compre na baixa

Analistas no geral seguem com recomendação positiva para os papéis

Lara Rizério

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As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) fecharam com baixa, mesmo em um dia de ganhos para o petróleo, em meio às repercussões dos resultados e dividendos. Os ativos PETR3 tiveram perdas de 1,16% (R$ 50,22) e os PETR4 caíram 1,62% (R$ 45,68).

A Petrobras divulgou queda de 7,2% no lucro líquido do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, levemente abaixo do esperado. O lucro líquido da companhia somou R$ 32,7 bilhões entre janeiro e março, ante R$ 35,2 bilhões no primeiro trimestre do ano passado, segundo relatório de desempenho divulgado pela empresa nesta segunda-feira. O resultado ficou ligeiramente abaixo das estimativas de analistas consultados pela LSEG, que apontavam R$ 34,4 bilhões.

A estatal reportou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de US$ 11,7 bilhões no 1T26, 14% abaixo da estimativa do Bradesco BBI e 9% abaixo do consenso.

Contudo, a frustração frente às projeções esteve concentrada principalmente na precificação das exportações de petróleo e dos estoques em trânsito, que ainda não refletiram a alta mais intensa do petróleo Brent observada em março. Como consequência do Ebitda abaixo do esperado e do consumo de US$ 1,8 bilhão em capital de giro, os dividendos calculados pela fórmula somaram US$ 1,8 bilhão, também inferiores à projeção do BBI (US$ 2,1 bilhões) e ao consenso (US$ 2,3 bilhões). Em contrapartida, o capex (investimentos) caixa recuou para US$ 4,5 bilhões no trimestre, ante US$ 5,0 bilhões no 4T25, reforçando um cenário construtivo para o cumprimento da estimativa de US$ 18 bilhões em investimentos em 2026

Para o JPMorgan, embora os resultados financeiros tenham aparecido como fracos, acredita que a tese central permanece intacta: (a) os efeitos de timing devem se dissipar; (b) os preços mais altos do petróleo devem se refletir mais plenamente nas exportações e nos lucros realizados nos próximos trimestres; e (c) maiores despesas de capital não são necessariamente negativas, dada a concentração em projetos de alta qualidade no pré-sal (por exemplo, Búzios). “Nos momentos de queda, compraríamos”, aponta, reiterando recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra).

O Morgan Stanley mantém recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para as ações. “A tese da Petrobras tem se concentrado nos dividendos de curto prazo nos últimos três anos — um indicador de rentabilidade atrativo. No entanto, em nossa opinião, o mercado negligenciou o valor intrínseco do portfólio de exploração e produção da empresa, onde o crescimento pode surpreender positivamente”, avalia.

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O banco acredita que a melhoria na execução e um crescimento surpreendente na produção podem impulsionar uma mudança para os fundamentos. Nesse contexto, aponta que uma capitalização de mercado potencial de US$ 200 bilhões parece possível, mesmo com preços do petróleo mais baixos.

O Bradesco BBI espera uma melhora relevante nos resultados e nos dividendos do 2T26, à medida que a companhia realize a venda dos estoques em trânsito e consiga capturar integralmente a forte valorização do Brent por meio de sua estratégia comercial, em linha com movimentos recentes observados no setor. Além disso, os dividendos devem ser adicionalmente impulsionados pelo recebimento de subsídios governamentais relacionados às vendas de diesel.

“Mantemos recomendação neutra para Petrobras, com preço-alvo de R$ 50,00 por ação, o que implica potencial de alta de 8%, dado o espaço limitado para valorização sob nossa premissa de longo prazo de Brent a US$ 70/barril e a expectativa de maior volatilidade das ações à frente do processo eleitoral no Brasil. A eventual reabertura do Estreito de Ormuz também tende a ser um vetor negativo para ações do setor”, pondera.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.