Braskem: além da recomendação de compra do JPMorgan, o que fez ação saltar 29%?

Taxa de aluguel expressiva dos ativos e expectativa por resultados do 1T também estão no radar dos investidores

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

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O JPMorgan elevou a recomendação para as ações da Braskem (BRKM5) para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), refletindo melhora dos fundamentos de mercado, oferta mais restrita e fortalecimento da governança corporativa após a reestruturação societária.

Com isso, às 10h15 (horário de Brasília) desta terça-feira (12), os ativos subiam 5,76%, a R$ 9,73. Contudo, ao longo da manhã, a alta se acelerou, com os papéis chegando a saltar mais de 20% e fechando com ganhos de quase 30%. Os papéis BRKM5 saltaram 29,02%, a R$ 11,87.

Cabe destacar que, segundo dados da Ágora Investimentos, as ações BRKM5 apresentam uma das maiores taxas de aluguel da Bolsa brasileira, o que sugere um movimento de cobertura de posições vendidas de ações com a alta registrada desde a abertura.

Uma taxa de aluguel mais alta sugere maior demanda por montar uma posição curta (vendida) em um investimento, o que pode significar que os investidores estão apostando em uma futura queda de preço. Neste cenário, quando o preço de um ativo começa a subir rápido, os investidores que estão vendidos, na tentativa de evitar maiores prejuízos, são obrigados a encerrar suas posições adquirindo mais dele, pressionando ainda mais a cotação do papel para cima, gerando assim o movimento de short squeeze.

Voltando à recomendação do JPMorgan, segundo os analistas, a Braskem deve apresentar um desempenho mais forte em 2026, à medida que desafios globais e restrições logísticas no Oriente Médio reduziram a oferta de petroquímicos e favoreceram a recuperação das margens. A expectativa é de que a normalização da cadeia petroquímica leve vários meses, diante das interrupções em instalações e do aumento dos prazos logísticos.

Para 2027, o JPMorgan projeta que o desempenho financeiro da companhia retorne a níveis considerados de “meio de ciclo”, embora os impactos duradouros do conflito geopolítico e os ajustes na cadeia de suprimentos ainda sejam variáveis importantes.

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Mesmo com a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz limitar parte da alta, o banco avalia que a melhora da governança após a reestruturação e os fundamentos operacionais mais fortes ainda estão apenas parcialmente refletidos na valorização acumulada de 17% das ações no ano.

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Com a incorporação das novas estimativas para 2026 a 2028, o JPMorgan elevou o preço-alvo dos ativos BRKM5 para dezembro de 2026 de R$ 10,50 para R$ 15 por ação. Para os ADRs negociados nos Estados Unidos (BAK), o preço-alvo é de US$ 5,50. A revisão considera padrões mais robustos de governança e uma expectativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) 118% superior, sustentada pela melhora dos spreads petroquímicos.

O banco destaca que a Braskem negocia atualmente a 3,6 vezes o múltiplo EV/Ebitda estimado para 2026, abaixo da média histórica de cinco anos de 5,2 vezes, indicando potencial de valorização de 63%.

Incentivos tributários reforçam competitividade

O JPMorgan também avalia que a Braskem deve ser beneficiada pelos avanços recentes no marco de apoio à indústria química brasileira, voltados para melhorar a competitividade dos produtores locais diante do excesso de oferta global e da pressão de importações.

Entre as medidas destacadas estão:

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Segundo o banco, essas medidas devem aliviar pressões de custos, fortalecer a competitividade da produção doméstica e apoiar os investimentos em expansão e modernização da companhia.

Reestruturação societária e nova governança

A Braskem passa atualmente por uma transição societária e reestruturação de capital em meio ao cenário prolongado de spreads petroquímicos deprimidos e à elevada alavancagem da antiga controladora, a Novonor.

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A operação é baseada em uma conversão de dívida em participação acionária. O fundo FIDC Shine I, da IG4, ficará com 34,3% do capital total e 50,1% das ações com direito a voto, enquanto a Novonor manterá uma participação residual de 4% sem direito a voto.

A expectativa é de que uma nova assembleia eleja o novo conselho de administração da Braskem, que posteriormente indicará a nova diretoria executiva.

O JPMorgan destaca ainda que o novo acordo de acionistas estabelece um modelo de cogovernança entre IG4 e Petrobras, substituindo a antiga estrutura liderada pela Novonor. O conselho terá 11 membros, incluindo três independentes, com representação equilibrada entre IG4 e Petrobras.

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As decisões estratégicas e indicações para a diretoria dependerão de consenso entre os acionistas de referência, ampliando o equilíbrio de poder e o alinhamento estratégico entre os controladores.

O acordo também prevê compromisso de migração para o Novo Mercado após o cumprimento de metas financeiras, além da extensão dos direitos de tag along para todas as ações da companhia em caso de mudança de controle.

Resultados no radar

Ainda no radar, a petroquímica divulgará os resultados do 1T26 na quarta-feira (13), após o fechamento do mercado. A companhia já publicou o seu relatório de Produção e Vendas para o trimestre sendo que as vendas totais, de 2,261 milhões de toneladas, recuaram tanto na comparação trimestral quanto na anual.

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No Brasil, a taxa de utilização de eteno aumentou para 69% (+10 pontos percentuais, ou p.p., ante o trimestre anterior). As vendas de resinas ficaram estáveis, enquanto os principais químicos cresceram levemente (+2% t/t). No México, a taxa de utilização caiu de forma acentuada para 55% (-30 p.p. t/t), devido à menor disponibilidade de matéria-prima, levando a uma queda de -37% t/t nas vendas de PE. No segmento EUA/Europa, a taxa de utilização aumentou +8 p.p. t/t, para 79%. Os spreads petroquímicos internacionais apresentaram desempenho misto.