Colunista InfoMoney: O que será do mercado global em 2009?

Barack Obama não é mágico para resolver todos os problemas internos e externos; o momento é de espera
A retrospectiva de 2008 é animadora até o primeiro semestre aqui no Brasil. Porém jogaremos os búzios para saber qual será o caminho da economia mundial em 2009. A crise instalada em todos continentes, de certa forma irracional, é assustadora. As seqüelas estão surgindo a cada dia.

Publicidade

O último suspiro foi a eleição do presidente dos EUA. Barack Obama terá pela frente a maior crise norte-americana dos últimos tempos. Ele não é mágico para tirar os coelhos da cartola e resolver todos os problemas internos e externos. Este mês tivemos a redução brusca dos juros nos EUA, de 0,75% para entre 0,25% e zero. O instrumento de redução dos juros já foi utilizado em crises anteriores, mas chegou ao limite.

Em nossa casa Brasil, finalmente nossos governantes caíram na realidade. No dia 22 de dezembro o dólar ficou na casa de R$ 2,400, uma desvalorização acima do esperado tanto pelo o governo quanto pelo mercado, pois as empresas que estavam alavancadas no “subprime cambial” realizaram um grande prejuízo no exercício de 2008. E outras estão carregando as posições ate o vencimento.

“Empresas alavancadas no ‘subprime cambial’ realizaram um grande prejuízo”

De certa forma, para os exportadores, uma desvalorização do real será bem vinda. Porém o crédito secou e o spread bancário encareceu as operações.

Já a nossa bolsa está na faixa dos 37.800 pontos. O mercado não esperava essa ducha de água fria na cabeça. O momento é de espera, muita calma nesta hora. As commodities em geral tiveram uma queda brusca, por exemplo, o petróleo. E as perspectivas não são as melhores para 2009. Com a recessão o consumo vai diminuir até o mercado se ajustar.

A nossa grande taxa de juros, de 13,75% ao ano, continua sendo a maior do mundo. De certa forma, a renda fixa seria atrativa para o capital estrangeiro, porém as multinacionais e os bancos em geral estão repondo suas carteiras para repararem os prejuízos.

O mercado já assimilou o momento. Agora é se ajustar para conviver com a crise, tanto governos, empresas e bancos.

Continua depois da publicidade

Reginaldo Siaca é gerente de Câmbio da corretora TOV e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
reginaldo.siaca@infomoney.com.br