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As negociações entre o governo Trump e a empresa aérea de baixo custo Spirit Aviation terminaram sem um acordo para resgatar a companhia aérea em dificuldades.
A empresa, afetada severamente pelo recente aumento nos custos de combustível, opera a partir da Flórida quase 200 aviões com destinos na América do Norte, Caribe e América do Sul. Segundo pessoas a par das negociações, a empresa estaria se preparando para encerrar suas operações nas próximas horas.
O preço do principal combustível de aviação nos EUA (chamado de Jet-A) quase dobrou em algumas regiões do país desde a disparada do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. Os custos operacionais extras com combustível das principais companhias aéreas americanas podem crescer 40% no primeiro semestre.
A Spirit — que tem cerca de 13 mil funcionários — estava em negociações com o governo dos EUA para um financiamento de resgate, mas as conversas chegaram a um impasse, e a companhia aérea está sem dinheiro em caixa.
A companhia aérea está sob o chamado Chapter 11, comparável à recuperação judicial no Brasil, e planejava evitar a falência e sair do regime até o verão do Hemisfério Norte, após chegar a um acordo com os credores em um plano visando a reduzir bilhões em dívidas. No entanto, o aumento dos custos de combustível com a guerra no Oriente Médio colocou a companhia aérea à beira da liquidação.
De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, ontem a empresa começou a notificar alguns credores sobre seus planos de suspender as operações, à medida que as perspectivas de um resgate financeiro diminuíam
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Algumas pessoas envolvidas nas negociações ainda mantinham a esperança, na noite ontem, de uma possível oferta revisada que pudesse abrir caminho para um acordo. A American Airlines, a United Airlines e a Frontier Airlines afirmaram em comunicados que estão preparadas para ajudar os clientes e funcionários da Spirit que possam ficar desamparados caso a companhia aérea encerre suas atividades.
Rob Britton, professor adjunto de gestão de crises na Universidade de Georgetown, nos EUA, e ex-executivo da American Airlines, enfatizou em entrevista ao New York Times que, mesmo depois que a guerra no Oriente Médio terminar, os valores do QAV e das passagens vão levar meses para se estabilizar:
— Não vai ser da noite para o dia porque no momento o caos é total.
Na quinta-feira, a Air Canada, maior entre as operadoras canadenses, anunciou que, por causa do cenário, não informará projeções financeiras para seus resultados — é comum, entre empresas de capital aberto de vários setores, informar aos investidores projeções e metas de crescimento.
