Suzano aponta demanda mais forte nos EUA e na Europa e desempenho resiliente do setor

América Latina deve receber ampliação de exportações para absorver produção que iria para os EUA

Erick Souza Reuters

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Trabalhadores cuidam de mudas em um viveiro da Suzano em Alambari, Brasil. Fotógrafa: Maira Erlich/Bloomberg
Trabalhadores cuidam de mudas em um viveiro da Suzano em Alambari, Brasil. Fotógrafa: Maira Erlich/Bloomberg

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A Suzano (SUZB3) continua vendo demanda sólida nos mercados dos Estados Unidos e da Europa, apesar do cenário geopolítico pressionar os resultados. Mesmo na Ásia, de acordo com a companhia, o primeiro trimestre demostrou um crescimento de exportações de produtos acabados.

Para o presidente-executivo da companhia, João Alberto de Abreu, esse aumento pode ser consequência das mudanças de fluxos de mercados. “Essa resiliência no consumo desses produtos tem a ver com a natureza dos mesmos”, explicou o presidente em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (30).

Segundo Abreu, esse consumo é mais inelástico a eventos globais. Por esse motivo, de acordo com o executivo, a companhia tem adotado uma política de preço menos uniforme, tratando cada geografia no momento geopolítico atual de acordo com sua realidade.

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O executivo ainda explicou que a Suzano conseguiu implementar completamente seguidos aumentos de preços ocorridos nos últimos meses na Europa e na América do Norte, mas na Ásia a companhia está vendo os clientes “mais cautelosos”.

Ampliação na América Latina

De acordo com o presidente da Suzano, a empresa tem retomado a exportação do Brasil para os EUA, após a redução da tarifa adicional de 50% para 10%. Durante o período de alinhamento e adaptação à taxa, porém, a companhia passou a considerar a América Latina como um possível destino para as mercadorias que antes iriam para o país norte-americano.

“A América Latina é um destino natural”, afirmou o presidente, quando questionado sobre a ampliação das exportações para mercados paralelos. Dada as facilidades logísticas pela proximidade, mercados da Argentina, Uruguai, Paraguai, podem se tornar destinos da ampliação da companhia.

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Abreu destaca, entretanto, que a alteração não é uma mudança estratégica e, sim, a companhia se adaptando às mudanças de tarifas que aconteceram e que estão em processo de normalização.

De acordo com o presidente, a estratégia também não inclui celulose. “Temos mercados fora da América Latina, destinamos a celulose para mais de 100 países concentrados em outras regiões geográficas”, explica.

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Carteira de hedge robusta

A Suzano fechou o primeiro trimestre com uma carteira de hedge de grupo de caixa de US$ 5,6 bilhões de dólares. De acordo com Marcos Assumpção, vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores (CFO) da Suzano, a carteira deve cobrir entre 40% e 75% da exposição da empresa ao dólar.

Conforme o executivo, se o câmbio continuar a R$ 5,22, a Suzano terá um ajuste positivo da linha de derivativos e resultado financeiro de cerca de R$ 200 milhões no segundo trimestre. Caso o câmbio continue por volta dos R$ 5, o ajuste de caixa a receber pode ser maior. De acordo com Assumpção, ficaria entre R$ 400 e R$ 500 milhões.

“É uma carteira muito robusta e que funciona muito bem no momento que temos um câmbio apreciado, que é um risco para a companhia”, explica. Ainda que a estratégia represente perda da operação, conforme o CFO, essa dinâmica é compensada com resultado financeiro.

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