Hora de comprar Bolsa? Esperar Selic cair para migrar para ações é “erro clássico”

Após correção na B3, especialistas destacam queda da Selic e recomendam não esperar juro cair mais para entrar - e apontam a oportunidade do momento

Leonardo Guimarães

Ativos mencionados na matéria

Painel da Bolsa de Valores/B3 (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)
Painel da Bolsa de Valores/B3 (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

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No mesmo dia em que a Selic caiu, o Ibovespa cedeu mais uma vez. O índice recuou mais de 2% na quarta-feira (29), e já acumula perdas de 7% desde o recorde de 14 de abril, em meio a uma virada no humor e no fluxo estrangeiro. No meio desse turbilhão, o investidor ancorado nos altos retornos da renda fixa se pergunta: Bolsa está abrindo uma janela de entrada?

A conclusão de especialistas ouvidos pelo InfoMoney é que a aposta exige cautela, mas que ficar parado na renda fixa pode custar caro, já que o mercado precifica o futuro — e uma Selic mais baixa — muito antes de ele chegar à economia real.

Hora de entrar

“Esperar a Selic atingir o piso para comprar ações é deixar dinheiro na mesa, um erro clássico das pessoas físicas”, afirma Luan Aral, analista da Genial Investimentos. Ele reforça que o atual nível de valuation da Bolsa é atraente: “o mercado é um mecanismo de antecipação, sempre está um passo à frente, olhando adiante; então, quando a Selic estiver em 11% ou 10%, os múltiplos da Bolsa, que estão atraentes, serão expandidos e os preços estarão muito mais altos.”

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Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, concorda que a janela de oportunidade está aberta. “Quando os cortes ficarem mais óbvios, os preços muito provavelmente já terão andado, então esperar demais pode aumentar a chance de pegar uma janela pior e custar um pouco mais caro”, alerta.

Para Régis Chinchila, analista de research da Terra Investimentos, o momento pede ação escalonada. “Esperar certeza costuma significar entrar com prêmio já comprimido. O mercado antecipa. Postergar demais aumenta o risco de comprar mais caro. A estratégia mais eficiente é a entrada faseada, não binária.”

Embora o momento seja propício para o acúmulo de ativos de risco, isso não significa abandonar a segurança. “Ainda que a gente esteja vendo um ciclo de corte, dificilmente deixaremos de ter juros de dois dígitos tão cedo”, pontua Barros, da W1. “O erro é ficar 100% conservador em um ponto em que o ciclo já está começando a virar.”

A leitura não é só doméstica. O UBS Wealth Management destaca o Brasil como um dos mercados emergentes mais bem posicionados para o investidor estrangeiro, especialmente com a alta das commodities: como exportador líquido de energia, o país tende a se beneficiar de câmbio mais forte e melhores resultados corporativos.

A vez (finalmente) das small caps?

Se a decisão é investir na Bolsa, onde está a oportunidade agora? As recomendações convergem para as small caps e empresas sensíveis ao ciclo de juros – posicionadas em setores como varejo, construção civil e educação. Essas ações foram penalizadas pelo custo das dívidas, mas são as que mais se beneficiam do afrouxamento monetário.

“As small caps são, na minha visão, a grande assimetria de 2026”, crava Aral, da Genial. “Essas empresas foram massacradas pelo custo da dívida, só que muitas já equacionaram esses passivos com estratégias como follow-ons e renegociações. Entendo que antecipar essa virada é o que vai separar o investidor profissional do iniciante.”

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Barros, da W1, explica o motivo desse atraso nas empresas de menor porte: “a Bolsa subiu muito por causa da entrada de fluxo de capital estrangeiro, que entra comprando a ‘cesta Brasil’, composta basicamente por Ibovespa, Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), Banco do Brasil (BBAS3), Itaú (ITUB4) e assim por diante; as small caps acabam ficando de fora”. 

Apesar da recuperação esperada para a classe, as small caps ainda “exigem seletividade”, alerta Chinchila. Na mesma linha, Matheus Spiess, analista da Empiricus, lembra que o caminho para os ganhos pode não ser tranquilo: “a direção pode ser positiva, mas não será linear. Quem topar esse tipo de investimento – onde provavelmente estarão os maiores ganhos – precisará de um estômago mais forte para encarar essa volatilidade toda”.

Gigantes ainda são opção

Para quem quer fugir da forte volatilidade que acompanha as small caps, o mercado oferece setores consolidados e exportadoras como opção de blindagem.

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Vagner Franceschi, especialista de Investimentos do Sistema Ailos, prefere olhar para gigantes que entregam resultados constantes: “setores um pouco mais promissores são grandes bancos, energia e seguradoras, que têm empresas mais consolidadas, sofrem menos com as oscilações de mercado e já vêm mantendo bom crescimento mesmo em meio à inadimplência”.

O especialista também aconselha que os investidores tenham uma parcela fora do risco Brasil, com “uma exposição dolarizada que produz um pouco de proteção para a carteira e podem ser promissores, como o setor de proteína, celulose e também mineração.”

Na mesma linha, Aral vê nas empresas maduras mais tranquilidade: “os setores de energia e bancos continuam sendo portos seguros com dividendos bastante robustos”.

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Ok, mas como entrar? 

Volatilidade é comum no mercado de renda variável, mas há formas de molhar os pés sem assumir riscos incompatíveis com o perfil dos mais conservadores. A principal recomendação dos especialistas é utilizar ETFs (Fundos de Índice) e a estratégia DCA, que recomenda aportes constantes e fracionados ao longo do tempo.

“É preciso sempre diversificar escolhendo boas empresas, mas se você não conseguir comprar dez empresas, compra um ETF; a partir daí, pode fazer um blend de Ibovespa com small caps”, sugere Spiess, da Empiricus.

Chinchila faz uma recomendação para quem não quer perder o sono pensando no ponto ideal de entrada na Bolsa: “a melhor estratégia é diluir a entrada no tempo, via aportes recorrentes. Isso reduz o risco de comprar no pico e evita decisões emocionais.”

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