Fed mantém juros em reunião que pode ser a última sob o comando de Powell

Decisão foi em linha com as projeções do mercado

Camille Bocanegra Lara Rizério

Fachada da sede do Federal Reserve em Washington, DC
22/08/2018
REUTERS/Chris Wattie
Fachada da sede do Federal Reserve em Washington, DC 22/08/2018 REUTERS/Chris Wattie

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O Federal Reserve manteve a taxa de juros nesta quarta-feira (29), enquanto as autoridades debatem riscos de aumento da inflação. As taxas de referência do Fed, que seguem entre 3,50% e 3,75%, estão neste nível desde dezembro.

Jerome Powell concede coletiva à imprensa 15h30 (horário de Brasília). Além de falar sobre os resultados da reunião e responder a perguntas sobre as perspectivas econômicas, Powell pode falar mais sobre seus planos, agora que Kevin Warsh deve ser confirmado como chefe do Fed pelo Senado a tempo para a reunião de 16 e 17 de junho do banco central.

“Os desenvolvimentos no Oriente Médio estão contribuindo para um alto nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas.”

A votação de 8 a 4 foi a mais dividida desde 6 de outubro de 1992 e mostra a amplitude de opiniões que o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, enfrentará ao buscar os cortes nas taxas que o presidente Donald Trump diz esperar do sucessor que escolheu para Jerome Powell, cujo mandato como chefe do banco central termina em 15 de maio.

Embora a mais recente declaração de política monetária tenha mantido a linguagem sobre como o Fed avaliará a “extensão e o momento de ajustes adicionais” nas taxas de juros, frase que aponta para cortes futuros como a próxima ação provável, três dirigentes fizeram objeções.

A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, e a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, embora tenham apoiado a manutenção da taxa de juros na faixa atual de 3,50% a 3,75%, “não apoiaram a inclusão de um viés de flexibilização na declaração neste momento” e votaram contra a nova declaração.

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Com os preços globais do petróleo acima de US$100 por barril devido à guerra apoiada pelos EUA contra o Irã, o Fed tem tido dificuldade em determinar se o impacto provavelmente será visto mais por meio de um crescimento deprimido ou de uma inflação mais alta, mantendo a taxa básica de juros na faixa em que está desde dezembro, apesar das repetidas demandas de Trump por uma política monetária mais frouxa.

Juntamente com a inflação elevada, “a taxa de desemprego pouco se alterou nos últimos meses”, enquanto a economia continua a se expandir “em um ritmo sólido”, disse o Fed.

TRANSIÇÃO NO COMANDO DO FED

O novo comunicado provavelmente será o último emitido sob a liderança de Powell.

Mais cedo nesta quarta-feira, o Comitê Bancário do Senado, controlado pelos republicanos, votou para avançar a indicação de Warsh por 13 votos a 11. A expectativa é que o plenário do Senado confirme Warsh no próximo mês.

Powell vai conceder uma coletiva de imprensa às 15h30 (horário de Brasília) para detalhar os resultados da reunião e as perspectivas econômicas, e também pode abordar se pretende permanecer no Fed como diretor em um mandato separado que vai até janeiro de 2028.

A ata da reunião do Fed de 17 e 18 de março observou que um número crescente de formuladores de política monetária estava aberto à ideia de que o próximo movimento do banco central poderia ser uma alta de juros, e o aumento no número de dissidências de viés mais duro pode levar investidores a reforçar apostas de que os custos de empréstimos subirão ainda neste ano.

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Desde a reunião de março, a inflação tem mostrado sinais de aceleração, com autoridades preocupadas de que preços globais do petróleo sustentadamente elevados possam evoluir de um choque pontual de preços para um aumento das pressões subjacentes sobre a inflação.

O diretor do Fed Stephen Miran, no que também pode ter sido sua última reunião, voltou a divergir em favor de um corte de juros de 0,25 ponto percentual, como fez em todas as reuniões desde que ingressou no banco central após deixar seu cargo anterior como um dos principais assessores econômicos de Trump.

(com Reuters)

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