WEG confirma temores de desaceleração e ação desaba 6,75% após 1T; “ação está cara”

Mercado vê novos riscos de revisões para baixo nas projeções da companhia

Lara Rizério

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Nova decepção? A WEG (WEGE3) divulgou resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) com lucro bilionário de R$ 1,46 bilhão, mas com queda anual de 5,7%, além de mostrar outros números reforçando a visão de desaceleração. Com isso, os papéis fecharam em queda de 6,75% nesta quarta-feira (29), a R$ 44,10, a maior queda do Ibovespa na sessão.

A empresa teve uma receita líquida de R$ 9,47 bilhões no primeiro trimestre, recuo de 6,1% na comparação anual e abaixo da expectativa média do mercado de faturamento de R$9,74 bilhões, segundo a Lseg.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 2,10 bilhões (-3% ano a ano), ficando 6% abaixo da estimativa do JPMorgan e 3% abaixo do consenso, impactado por receita abaixo do esperado e margens fracas – a margem bruta no nível mais baixo desde o 4T22, apesar da composição positiva, caindo 1,3 ponto percentual anualmente, para 31,6%.

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Os analistas do JPMorgan já esperavam por uma reação negativa das ações nesta quarta, apesar da recente fraqueza das ações (queda de 9% nos últimos 3 meses, contra alta de 3% do Ibovespa), pois acreditava que o 1T26 trazia risco de queda para as projeções do banco e do consenso.

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Entre os principais pontos positivos, estão: i) as receitas em moeda estrangeira, em dólares americanos, expandiram 16% anualmente, ficando 4% acima da JPMe, em US$ 1,12 bilhão, impulsionadas pelo segmento EEIE (Equipamentos Elétricos Industriais e Eletrônicos), que cresceu 18% anualmente em dólares americanos; ii) a alíquota efetiva de imposto foi de 16,4%, contra 18,0% da JPMorgan e abaixo dos níveis do 1T25 e 4T25; iii) apesar da margem bruta ter ficado abaixo do esperado, a margem Ebitda ficou em linha com o consenso, em 22,2%, alta de 0,6 ponto percentual na base anual.

Do lado negativo, os principais pontos são: i) a receita bruta foi de R$ 9,47 bilhões, baixa de 6% anualmente, impactada pela valorização do real (+10% anualmente) e pela fraqueza do GTD (Geração, Transmissão e Distribuição) doméstico (-36% anualmente); ii) a margem bruta foi a mais fraca desde o 4T22, em 31,6%, apesar da composição favorável (sem receitas de energia solar); iii) o lucro por ação ficou 5% abaixo do esperado, em R$ 0,35, -6% anualmente iv) a distribuição de dividendos aos acionistas minoritários continuou a subir, atingindo 7,8%, contra 6,7% no 4T25 e 5,6% um ano antes; e v) o capex ficou 14% acima da previsão do banco, em R$ 622 milhões, estável em relação ao ano anterior.

Para o Bradesco BBI, o resultado foi negativo, com receita 3% abaixo do esperado e margens pressionadas ao ajustar para outras receitas operacionais “não recorrentes”.

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A fraca receita no Brasil foi um destaque negativo no trimestre, impactada pela esperada retração no segmento de GTD (36,4% a/a), além da redução na demanda por EEI de ciclo curto (+1,7% anualmente). Os mercados internacionais foram um ponto positivo para a receita, com crescimento de 11,2% em termos neutros de câmbio (contra 2,5% no 4º trimestre) e crescimento de 4,5% ano a ano em reais, sinalizando uma demanda mais saudável no exterior para os segmentos de EEI e GTD.

A margem bruta foi outro destaque negativo, pressionada por custos mais altos de matéria-prima, tarifas dos EUA e volatilidade cambial — fatores que provavelmente persistirão nos próximos trimestres. Embora a margem Ebitda de 22,2% tenha ficado amplamente em linha com as estimativas do BBI e com o consenso do mercado, esse resultado foi em grande parte sustentado por outras receitas operacionais, que consideramos “não recorrentes”. Se considerar outras receitas e despesas operacionais em linha com os trimestres anteriores, a margem Ebitda ficaria em torno de 20%.

“Em suma, apesar das mensagens positivas em relação aos pedidos de longo prazo, os fracos resultados do 1º trimestre devem representar um risco de queda para as estimativas de consenso. No geral, com crescimento ainda moderado e margens enfrentando dificuldades, acreditamos que as ações continuam caras, sendo negociadas a 32 vezes o P/L (preço sobre lucro) do ano fiscal de 2026”, destaca o BBI. O banco tem recomendação neutra para WEGE3, com preço-alvo de R$ 52, mesma recomendação do JPMorgan.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.