Você não perde cliente por falta de produto. Perde por falta de presença. 

Profissionais tecnicamente preparados, com bom portfólio, mas com dificuldade de crescer

Bianca Juliano

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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É uma afirmação forte, que, na prática, explica mais sobre crescimento, retenção e carreira na assessoria de investimentos do que muitos indicadores. 

Existe uma diferença silenciosa, e decisiva, entre quem trabalha com pessoas 
e quem gosta de trabalhar com pessoas. 

E o cliente percebe. 

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O problema não está na técnica 

Ao longo dos anos, mentorando assessores em diferentes momentos de carreira, encontrei um padrão: 

Profissionais tecnicamente preparados, com bom portfólio, bons produtos, boa leitura de cenário, mas com dificuldade de crescer, reter clientes e construir relações duradouras. 

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E quase nunca o problema era técnico. 

– Era comportamental. 
– Era relacional. 
– Era presença. 

Você escuta… ou só espera sua vez de falar? 

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Vamos sair do automático por um instante. 

Reflita com honestidade: 

– Você gosta de ouvir o outro, ou apenas conduz a conversa para o que você quer dizer? 
– Você sente prazer em resolver, ou apenas cumpre o processo? 
– Você se organiza para respeitar o tempo do cliente, ou encaixa ele na sua agenda? 
– Você se vê como solução, ou, sem perceber, se torna mais uma complexidade na vida dele? 

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Essas perguntas parecem simples. 

Mas são elas que definem a qualidade do seu atendimento, e, no longo prazo, o tamanho da sua carreira. 

A ciência por trás disso, e por que isso importa mais do que parece 

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O cérebro humano é altamente sensível à forma como é tratado em interações sociais. 

Quando um cliente se sente ouvido, compreendido e respeitado, há ativação de áreas associadas à segurança e confiança, como o sistema límbico, além da liberação de neurotransmissores como a oxitocina, que fortalece vínculos. 

Por outro lado, quando ele percebe pressa, desatenção ou superficialidade, o cérebro interpreta como risco. 

E risco, no cérebro, ativa defesa. 

Isso significa: 

Mesmo que a alocação sugerida seja adequada, construída com base em boas análises e recomendações de mercado, se a experiência emocional não for positiva, o cliente não sustenta a relação. 

Ele pode até não te dizer. 

Mas ele se afasta. 

Atender não é executar, é se relacionar 

Existe uma ilusão comum no mercado: 

A de que estruturar bem uma carteira é suficiente. Não é

O cliente não quer apenas uma alocação coerente. 

Ele quer: 

– clareza 
– segurança 
– consistência 
– e alguém que esteja, de fato, presente ao longo da jornada 

E presença não é só disponibilidade de agenda. 

É qualidade de interação. 

Servir não é romantismo, é estratégia 

Gostar de servir não tem nada a ver com ser “bonzinho” ou “agradável”. 

Tem a ver com postura profissional. 

Com assumir que seu papel não é apenas sugerir alocações, 
mas facilitar decisões importantes na vida de alguém. 

E isso exige: 

– escuta ativa 
– organização 
– responsabilidade 
– continuidade 

Isso é o que sustenta o jogo no longo prazo. 

Se você quiser evoluir na assessoria de investimentos, comece por um lugar pouco óbvio: 

– Não pela técnica. 
– Não pela ferramenta. 
– Não pelo próximo produto. 

Comece pela sua relação com o outro. 

Porque é isso que define: 

Se você será apenas mais um no mercado 
ou alguém que, de fato, constrói relações, confiança e resultados consistentes ao longo do tempo.

Bianca Juliano assessora de investimentos. Imagem: Divulgação
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Bianca Juliano

É especialista em vendas, assessoria de investimentos, atua como mentora, palestrante e é autora do livro “O Mínimo Esforço: o método de vendas que me levou à posição de sócia da XP Investimentos”.