Banco do Brasil vai continuar financiando o agro, diz VP de agronegócios

A mudança para garantia real de imóvel está entre as dinâmicas adotadas para dirimir efeitos de inadimplência e permitir que o crédito seja mais seguro para o banco

Camille Bocanegra

Ativos mencionados na matéria

Banco do Brasil (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)
Banco do Brasil (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)

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Há mais de um ano, falar do balanço do Banco do Brasil (BBAS3) tem sido automaticamente falar de sua frente de crédito para agronegócios, pelo momento de inadimplência recorde que o setor enfrenta. Mesmo com impacto forte nos resultados do banco, o BB deve continuar contando com o segmento entre suas maiores linhas de crédito.

“O Banco do Brasil vai continuar financiando o agro, porque o agro é o motor de pequenos e médios municípios e da nossa balança comercial”, afirma VP de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Bittencourt, no evento para investidores BB Day 2026.

Entre as medidas tomadas pelo banco após o impacto da inadimplência recorde, está a mudança para garantia real de imóvel, também para permitir que o crédito seja mais seguro para o BB. “Na safra 2024/25, tínhamos 31% de garantia real, agora temos 69%”, diz o VP de agro.

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Para o vice-presidente de controles internos e gestão de riscos, Felipe Prince, a previsão de pontualização do agro (que quantifica a qualidade do crédito) é prevista em 95% para 2026, após ficar em 92% em 2025. A dinâmica sempre foi elevada, com pontualização de 99% em 2023. “Isso conversa com os estágios de provisionamento dentro da 4.966”, afirma.

Entre os vencimentos de financiamentos no agro, os fluxos de vencimentos se mostra mais equilibrado em 2026 do que foi visto em 2025. Cerca de 73% dos vencimentos no ano passado ficaram concentrados em abril a setembro, contra cerca de 60% neste ano.

Entre os recursos que foram postergados em cerca de R$ 64,5 bilhões, a carteira prorrogada prevê 36% de pagamentos em 2026 e 22% em 2027, assim sucessivamente até a finalização, em 2035.

Contexto geopolítico

O contexto geopolítico, em especial considerando a guerra entre EUA e Irã, deverá sim ser modelado dentro das operações do banco, mas o efeito virá apenas na safra de 2026-27. “Pode trazer o efeito para próxima safra, mas ainda não tem o efeito de custos para nossos clientes”, diz o VP de gestão de riscos. Prince cita que o banco realizou operações para permitir que clientes fizessem aquisição antecipada de insumos, considerando o aumentos dos preços já presente.

“O grosso da compra de insumos acontece por volta de junho e julho, mas se essa pressão for até lá, é natural que eu tenha uma compressão de margem e isso entrará no nosso modelo de 2026-27”, diz Prince.

O diretor de agronegócios, Gilson Bittencourt, afirma que é necessário ter cautela nas projeções porque o cenário segue muito indefinido para que se possa considerar cenários. O VP cita também o El Niño como fenômeno que pode tanto impactar negativamente a produção quanto positivamente, a depender da região do país.

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“No momento que o produtor tem mais renda, ele investe em mais máquinas, ele compra mais terra, ele tem mais imobilização de seu capital. Nesse momento, o produtor cria uma expectativa de que a margem se mantenha por um bom tempo e esse foi o erro”, afirma Bittencourt, sobre a dinâmica que culminou na maior inadimplência no setor nos últimos anos.

Após esse movimento positivo, houve tanto questão climática quando também redução de preços que pressionou margens, em 2024 e 2025. Após o aumento da inadimplência, a Medida Provisória 1314, com o programa “Regulariza Agro”, foi possível iniciar processos com novas garantias e permitir que o produtor se organizasse.