BofA: Reforma tributária pode ter impacto positivo para setor de aluguel de veículos

Transição da reforma deve adiar aumento do imposto sobre vendas até meados de 2030

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Loja da Localiza (RENT3) Seminovos, que vende carros usados (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Loja da Localiza (RENT3) Seminovos, que vende carros usados (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

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A reforma tributária brasileira deverá trazer diversas mudanças para o setor de aluguel de veículos. Ainda assim, em uma análise minuciosa, o Bank of América (BofA) destacou que o período de transição deve amenizar algumas dessas mudanças esperadas para o novo regime. A expectativa do banco é de que o setor permaneça neutro em termos fiscais até meados da década de 2030.

Atualmente, as locadoras de veículos brasileiras (Localiza, RENT3 e Movida, MOVI3) operam com uma carga tributária efetiva próxima de zero, enquanto a Vamos (VAMO3) paga cerca de 1%. Com a reforma, o banco estima que a alíquota efetiva do imposto sobre vendas para locadoras de veículos deverá aumentar para cerca de 8-9% no longo prazo.

Apesar do aumento, o mecanismo de transição apresentado em janeiro adia esse impacto. De acordo com os analistas, as locadoras de veículos deverão continuar isentas de imposto sobre vendas até 2035. A Vamos, por outro lado, terá um período menor de isenção até 2033.

Com esse modelo de transição gradual, a tributação sobre veículos da divisão RaC diminui consideravelmente. Conforme o banco, os bens de frota de locação só serão tributados a partir de 2033 para a Localiza e 2034 para a Movida.

Impostos sobre vendas

De acordo com o BofA, uma das principais preocupações dos investidores é de um possível aumento nos impostos sobre vendas de aluguéis. “Atualmente, consideramos esses riscos exagerados, visto que a transição deve ser mais gradual do que o previsto”, explicam os analistas.

Para os economistas, o período de transição oferecerá tempo suficiente para que as locadoras aumentem as tarifas de maneira gradual. Desta forma, conseguiriam compensar o aumento esperado nos impostos e ainda acelerar o crescimento durante a transição.

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O cenário base do BofA, estima um repasse de aproximadamente 15% a 27% para aluguéis de carros (11% a 20 pontos percentuais para compensar o aumento nos impostos sobre vendas e 4% a 7 pontos percentuais para compensar a perda do desconto de 6 pontos percentuais do ICMS).

Para aluguéis de caminhões, o aumento deve chegar por volta dos 0,2 ponto percentual no rendimento do aluguel (em comparação com o rendimento relatado de 2,4%).

Mudanças no IVA

O governo brasileiro estabeleceu um regime transitório para a tributação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) sobre a venda de bens de capital adquiridos entre 2026 e 2032. De acordo com a Lei Complementar 214/2025, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) incide somente quando o veículo é vendido por um preço superior ao seu custo de aquisição (excluindo impostos).

Ao mesmo tempo, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) se aplica apenas à parcela do preço de venda que excede o custo de aquisição (excluindo impostos) multiplicado por um fator de redução.

De acordo com o BofA, a reforma do IVA no Brasil deve melhorar a rentabilidade relativa do aluguel de frotas para empresas. Segundo os analistas, o sistema do imposto não é cumulativo. Desta forma, as empresas podem deduzir os créditos de IVA pagos ao longo da cadeia de valor, podendo reduzir o custo efetivo do aluguel.

As estimativas do banco calculam que o aluguel de frotas se torna cerca de 10% mais barato do que a propriedade para empresas (contra um aumento atual de 6% a 16%). Para caminhões, o cálculo aponta que o aluguel se torna 11% mais barato, contra um aumento de 7%, atualmente.

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